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Orquestra Voadora lota Aterro do Flamengo com desfile político

RIO — A libélula alçou voo e trouxe muito mais que música instrumental para o carnaval carioca. O tradicional bloco Orquestra Voadora reuniu cerca de 120 mil foliões e levantou diversas bandeiras políticas durante seu desfile, nesta terça-feira, no Aterro do Flamengo. Indo de Brasília até a Síria, o tradicional cortejo abordou temas atuais, como a venda da Cedae; a falta de verbas na UERJ; a destruição da cidade Aleppo pela guera civil síria; e os protestos contra o presidente, Michel Temer, e do govenador do Rio, Luiz Fernando Pezão. A principal causa foi o feminismo. Minutos antes do cortejo começar a marchar em direção ao museu MAM, a representante do coletivo feminista “Todas por todas”, Ju Storino, assumiu o controle dos microfones do carro de som e divulgou a campanha contra o assédio no carnaval.

— Sempre pedimos para que tenham mais respeito com as mulheres, mas esse ano estamos fazendo diferente. Não vamos aceitar nenhum tipo de assédio, não vamos nos calar. Vamos denunciar qualquer desrespeito sofrido. Vamos fazer barulho! — afirma a Storino

A liberdade do corpo e a nudez marcaram presença no bloco. Muitas mulheres estavam de topless para defender a autonomia sobre elas mesmo. Faixas e cartazes contra políticos também chamaram atenção no cortejo. Em certo momento do desfile, o grito “fora Temer”, puxado pela orquestra, ecoou pelos jardins do Aterro do Flamengo. Até mesmo o prefeito de São Paulo, João Doria, foi criticado por ter pintado os grafites da capital paulista com tinta cinza. Mesmo com os protestos, o clima no bloco era de alegria e descontração. Só mesmo assim para lidar com a crise atual, como conta a professora da rede pública Daniele Sutil, que estava vestida de palhaço.

— Nossa fantasia tem feito sucesso, as pessoas nos param na rua para tirar foto e se solidarizam com a gente — diz Daniele, segurando a placa “professora sem pagamento”.

O espirito circense, marca da Orquestra Voadora, esteve mais forte do que nunca durante o bloco. Acrobatas faziam piruetas entre os 115 pernas de pau presentes no desfile. Uma grande libélula de tecido também foi montada para acompanhar o cortejo de 350 instrumentistas de sopro e percussão — o maior já desfilado pelo bloco. O repertório do grupo trouxe ainda novidades, com a adição das musicas Panis Circenses, da banda Os Mutantes; Comida, dos Titãs e Tonga da Mironga, do poeta e músico Vinicius de Moraes.

O ar mágico e lúdico da Orquestra animou novos e antigos foliões. A arquiteta Carolina Galezzi carregava seu filho de colo por toda a folia.

— Eu o levo para os bloco que são mais seguros e ele adora. As vezes reclama um pouco, mas a maior parte do tempo é muito tranquilo — conta a mãe, que não foi a unica que levou seu bebê para pular o primeiro carnaval.

Já a aposentada Laura Helena, de 61 anos, conta que sua paixão pela festa de rua começou desde pequena.

— Ainda muito pequena minha mãe me levava para os blocos. Meu amor pelo carnaval começou assim. — diz a aposentada. — E a Orquestra Voadora é o meu bloco favorito!

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