RIO - Para não perder ainda mais clientes, Vicente Pereira de Moura, gerente de um restaurante na Avenida Marechal Floriano, no Centro, reduziu os preços do cardápio em 20%. Nos estacionamentos da rua, as diárias sofreram cortes de até 50%. Os descontos são uma estratégia para atrair a clientela, sumida desde janeiro, após a interdição parcial da via, no trecho entre as ruas Visconde da Gávea e Camerino, para a obra de implantação da Linha 3 do VLT, a última do sistema. Em fevereiro, a situação se agravou. Operários e maquinário foram retirados para o carnaval e não voltaram mais.
— É uma irresponsabilidade começar uma obra dessas e parar — reclamou o despachante Anderson Pereira Cruz.
Em dois quarteirões da via — entre a Avenida Tomé de Souza e a Rua Camerino —, apenas uma das quatro faixas está liberada aos veículos, e as linhas de ônibus que passavam pelo local foram desviadas. Devido ao esvaziamento, o trecho fica deserto à noite e perigoso. Entre a Rua Visconde da Gávea e a Avenida Tomé de Souza, em frente ao Palácio do Itamaraty, ambulantes aproveitaram a interdição para instalar seus tabuleiros.
A Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), responsável pelo projeto, alegou que a paralisação é necessária, pois a obra ocorre em área histórica, que exige pesquisa arqueológica. Segundo o órgão, é preciso licença do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas o cronograma não será prejudicado e a obra acabará em dezembro.
Segundo o Iphan, o licenciamento refere-se aos impactos sobre dois sítios arqueológicos, o cemitério de Santa Rita e a Igreja de São Joaquim, e cinco bens tombados que ficam na Marechal Floriano (Palácio do Itamaraty, Prédio da Light, Colégio Pedro II, Banco Central e Igreja de Santa Rita). Segundo o instituto, “as intervenções na via, nas etapas que impactam os bens, só poderão ser iniciadas após a aprovação dos projetos” e “a previsão de conclusão das análises é a primeira quinzena de abril”.

