RIO - Mais um policial militar foi morto nesta quinta-feira no estado. É o 99º assassinato de PM registrado este ano, uma média de três por semana. O subtenente Mabel Sampaio, de 53 anos, teria reagido ao ser abordado por um criminoso na porta de sua casa, em São Gonçalo. Ele foi atingido por dois tiros. Praticamente no mesmo horário, estava sendo enterrado o corpo do cabo Thiago Rodriguez da Silva, de 32 anos, encontrado no porta-malas de seu carro na última terça-feira, em Nova Iguaçu.
Baleado no peito e no quadril, Mabel Sampaio chegou a ser levado para o Pronto-Socorro de São Gonçalo. Amigos da vítimas contaram que o subtenente trabalhava como segurança, nas horas vagas, em algumas lojas da rua em que morava com família. Contaram ainda que o PM era uma pessoa tranquila e reservada.
A viúva passou mal ao chegar ao hospital e não teve condições de liberar o corpo. Em nota, a assessoria de imprensa da Polícia Militar informou que equipes do equipes do 7º BPM (São Gonçalo) foram acionadas para um crime no Porto da Madama na manhã de ontem e encontraram o subtenente ferido. Nenhum suspeito foi detido. A Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo assumiu as investigações.
O Estado do Rio registrou mais de um terço dos policiais mortos em todo o Brasil. Em de janeiro a junho, quando já tinham ocorrido 92 mortes aqui, segundo levantamento do GLOBO, o número representava 38,8% dos 240 PMs assassinados em todo o país.
Lotado na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, o cabo Thiago foi encontrado morto no Jardim Nova Era, em Nova Iguaçu. Ele estava de folga no dia do crime. A polícia foi acionada por parentes do policial, que afirmaram que o praça havia sido sequestrado por traficantes na porta de casa. Imagem feita por uma câmera de segurança mostra o momento em que o agente entra com o carro na garagem e um homem corre para dentro da casa com uma arma na mão. Agentes investigam se o PM tinha divergências com bandidos que queriam montar uma boca de fumo perto de onde o agente morava. Dois suspeitos do crime estão identificados.
Thiago estava há seis anos na corporação, era casado e deixou três filhos. Pouco mais de cem pessoas acompanharam o velório no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap. A viúva estava revoltada:
— Quando o meu filho perguntar sobre o pai dele, o que eu vou dizer? Estou fora de casa, dependendo da ajuda de parentes e amigos, que são aqueles com quem eu estou podendo contar. Quando o governador ficou doente, foi internado no melhor hospital. O que o estado pode fazer por minha família? Eu sabia que, a qualquer momento, poderia ser a minha vez.
Alguns parentes e amigos vestiam camisetas brancas com a foto do policial. O caixão estava coberto com uma Bandeira do Brasil e sobre ela havia uma coroa de flores enviada pelo comando-geral da PM. Uma mulher passou mal e precisou receber cuidados médicos em uma ambulância.
O capelão da PM fez uma oração pelo policial e todos os seus colegas mortos este ano. Quando o cortejo se aproximava da sepultura, um grupo de policiais enfileirados prestou uma última homenagem ao colega e bateu contingência.
O assassinato de um outro PM, o soldado Samir da Silva Oliveira, da UPP São João, atacado no Méier há duas semanas, teve um outro desfecho nesta quinta-feira. Dois homens suspeitos do crime foram soltos por determinação da juíza Raphaela de Almeida Silva, da 3ª Vara Criminal da capital, depois de passarem 13 dias atrás das grades.
A magistrada determinou o arquivamento do inquérito contra Lizien Francisco da Silva Alves, de 32 anos, já que, de acordo com o Ministério Público estadual, ele não foi reconhecido por qualquer vítima ou testemunha como autor do homicídio. Já sobre Jamerson Gonçalves de Andrade, de 30 anos, a juíza ordenou que as testemunhas do caso sejam ouvidas novamente. A defesa de Jamerson apresentou à Polícia Civil imagens de câmeras de segurança de um shopping e de um estacionamento na Barra da Tijuca que mostram o homem pouco antes das 18h, horário em que o crime ocorreu.



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