RIO - Há um ano, inconformado com a água que não parava de jorrar de um vazamento na Rua José Rosendo de Souza, no Jardim Catarina, em São Gonçalo, um morador decidiu transformar a poça em cativeiro de peixes de água doce. Marco Antonio Maiato construiu uma pequena barreira de terra e concreto para impedir que a água invadisse a rua. Levou para o valão que se formou várias espécies que costumava pescar em rios da região. E hoje garante que tem até tilápia no lugar. Tanto que, por precaução, instalou uma placa: “Pescar, só com autorização”.
— A água, misturada com lixo, estava atraindo mosquitos. O fumacê parou de passar. Aquilo tinha virado um criadouro de dengue a céu aberto. Aí lembrei que os peixes comem as larvas. Então comecei a trazer para cá alguns peixes que eu pescava no Imunana-Laranjal (sistema de captação de água da Cedae) — conta Marquinho, como é conhecido, explicando que foi uma forma de protesto. — Se consertarem o vazamento, a gente dá os peixes para as pessoas comerem ou devolve para os rios. O que não pode é ficar sem solução.
Para os animais não morrerem na enorme poça, foram plantadas no local mudas de erva-de-santa-luzia, que servem de abrigo e alimento para os peixes. Além disso, uma vez por dia eles recebem ração. De acordo com Marquinho, já existem nove espécies no local, como traíra e bagre africano:
— Não é só na roça que se pode criar peixes. Essa é a prova de que dentro de uma comunidade, no meio da cidade, também dá.
O valão virou atração na vizinhança, principalmente para os pequenos. Apesar da placa, Marquinho garante que não é proibido pescar no local. "É só para não virar bagunça", explica ele, que frequentemente empresta varas para crianças.
— Muita criança teve a oportunidade de pescar pela primeira vez aqui— diz Marquinhos, que ganha dinheiro com o negócio.
No bar que mantém em frente ao açude, como chama o valão, Marquinhos criou uma promoção: aos domingos, quem compra uma cerveja, ganha um peixe à milanesa de graça.
— É fresquinho do nosso lago — diz.
A prefeitura de São Gonçalo informou que enviará uma equipe “para verificar se o vazamento é de responsabilidade da prefeitura ou da Cedae". A companhia de água informou que nunca recebeu reclamações sobre a área.


