RIO - Não faz muito tempo. Pochete era brega e maiô servia somente para quem tinha mais de 50 anos. Pois este carnaval mostrou que os tempos mudaram. A dobradinha formada pelas peças se espalhou pelos blocos cariocas, desbancando até o chifre de unicórnio, novidade do ano passado que continuou firme e forte nesta folia. A adesão não ficou restrita às donas de corpos esculturais. Aliás, nem apenas às “donas’’. Os homens também tiraram os maiôs e as pochetes do armário. Boitatá, Boi Tolo, Prata Preta, Bangalafumenga, Bunytos de Corpo... Pense em mais um bloco e saiba que ele estará na lista. Calor, empoderamento feminino, despojamento masculino. O que não falta é motivo. Também não falta criatividade: tem pochete de E.T., de abacaxi, de sapinho e a carregada de brilhos. Nem a fama intimida os fãs do acessório — a atriz Bruna Marquezine apareceu com uma no Bloco da Favorita, no último sábado.
— A pochete é bonita, prática e mais segura. Acho que se for trabalhada com brilhos dá até para usar de noite — defende Anna Amaral, de 26 anos, que saiu no Boi Tolo.
Quando o assunto é maiô, o único aperto destacado por quem usa é a hora de ir ao banheiro — no caso do químico, então, nem se fala.
— É lindo, mas nada prático — ressalta Ester Formiga, 29 anos, moradora de Campo Grande que usou um no Bloco da Favorita.
O publicitário Kayo Rangel estava com um de flamingos (bicho em alta) no Bunytos de Corpo. Na cintura, pochete prateada customizada. O discurso no bloco era: o que mulheres usam homens também podem, e vice-versa.
— Eu e meus amigos preparamos um maiô e uma pochete para cada dia — revelou ele.



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