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Jovem denuncia agressões homofóbicas em casa noturna na Lapa

RIO — Um rapaz de 24 anos foi agredido na madrugada deste sábado (27) em uma boate na Lapa e, em uma publicação compartilhada nas redes sociais, relatou ter sido vítima de homofobia no local. O bacharel em relações internacionais Breno Martins, de 24 anos, estava com dois amigos e duas amigas na casa noturna Antonieta, na Rua Mem de Sá. Ao GLOBO, ele disse que ouviu um homem gritando insultos homofóbicos contra ele, como “viadinho” e “bicha”. Irritado, ele começou a discutir com o homem, quando dois amigos do agressor apareceram. Breno lembra que, em seguida, os três começaram a golpeá-lo com socos na cabeça, enquanto repetiam os insultos.

— Não sou de reagir, mas reagi aos xingamentos. E nisso eles vieram para cima de mim, tentei me defender, mas vieram outros dois homens e começaram a me dar socos na cabeça, na testa. Estou com algumas marcas, com dois ou três galos, e o local está inchado. Eles estavam me xingado do que já haviam xingado. Foi tudo muito rápido, as minhas amigas tentaram intervir e os seguranças nos separaram depois que viram que o tumulto estava crescendo — contou Breno, muito abalado.

Depois disso, ele afirma que foi expulso do local junto com seus amigos pelos seguranças do estabelecimento, que deixaram que o grupo de agressores ficasse dentro da boate. Segundo Breno, os seguranças foram hostis o culparam pela confusão:

— Eles empurraram a gente para fora como se fosse culpa nossa. Fiquei constrangido. Uma das minhas amigas era estrangeira, estava pasando a semana aqui, e ela ficou horrorizada — disse o rapaz.

Breno recorda que já foi vítima de outros xingamentos homofóbicos antes do episódio. Ele diz que não pretende registrar a ocorrência por “medo de gracinhas e deboches” na delegacia. E pensa, por medo, em deixar o Rio:

— Eu estou assustado, minha testa ainda está doendo bastante. A gente sempre acha que os relatos que a gente ouve nunca vão acontecer com a gente. Mas um dia eles acontecem. Há um tempo tenho medo de andar no Rio. Há dois meses fui assaltado na Barra. Inclusive tenho visto de ir embora do Rio, do país. É um lugar perigoso, intolerante e em que a segurança pública é nula — criticou.

O GLOBO tentou contato com a casa noturna Antonieta por telefone e por suas redes sociais oficiais ao longo da tarde deste sábado, mas não obteve resposta até as 18h.

Casos de homofobia em estabelecimentos comerciais motivaram a Comissão de Direito Homoafetivo da OAB-RJ a planejar uma série de visitas a bares e botequins da cidade para conscientizar funcionários e frequentadores. De acordo com a presidente da comissão, Raquel Castro, a ideia é conscientizar as pessoas da existência de legislação estadual e municipal que proíbe atos de homofobia em estabelecimentos comerciais. A informação foi antecipada pela coluna Gente Boa, do GLOBO.

Segundo Raquel, a série de visitas deve começar no dia 28 de junho, Dia do Orgulho LGBTI. Segundo ela, bares onde seja praticada homofobia podem até ter seus alavará de funcionamento e inscrição estadual cassados. A advogada afirma que atitudes intolerantes costumam ser verificadas mesmo em redutos boêmios, como a Lapa:

— Infelizmente, isso ainda é uma realidade — lamentou Raquel.

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