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Jongueiros do Rio de Janeiro se apresentam na Marina da Glória

RIO — Mais de cem jongueiros, vindos de cidades como Angra dos Reis, de Barra do Piraí, de Miracema, de Pinheiral, além de representantes da comunidade da Serrinha, reuniram-se neste sábado na Marina da Glória, Zona Sul, para uma apresentação coletiva. Durante o encontro, parte do calendário de comemoração aos 80 anos de criação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ( Iphan) foi lançado o CD duplo “O Jongo do Rio de Janeiro”, gravado por doze grupos jongueiros do Estado. Segundo a Superintendente do Iphan no Rio de Janeiro, Mônica da Costa, o objetivo do CD é ajudar estas comunidades no processo de preservação de suas músicas (mais conhecidas como pontos de jongo) para as próximas gerações.

— A gravação é mais uma ação de salvaguarda voltada para a preservação desse patrimônio, o jongo do sudeste, para que o saber, sua memória cultural, não se perca — explica Superintendente do Iphan no Rio de Janeiro, Mônica da Costa, acrescentando que o CD duplo tem fins comerciais.

Ela explica que, após uma década implementando ações de salvaguarda para o Jongo, a Superintendência do Iphan no Rio de Janeiro conseguiu juntar os grupos e viabilizar a gravação do CD. Segundo o Iphan, as composições dos mestres jongueiros e de antigas lideranças desses grupos, “são resultado da transmissão dos saberes de seus antepassados.”

Para Maria Amélia da Silveira Santos, de 55 anos, integrante do Jongo do Pinheiral, o CD vai tornar mais fácil a preservação da memória:

— O jongo do Pinheiral vem desde o século XIX, surgiu entre os escravos da Fazenda de São José dos Pinheiros, e foi sendo passado de geração em geração. No grupo, temos descendentes diretos destes escravos, ainda praticando. É muito importante não deixarmos esta tradição acabar.

O Jongo/Caxambu da Região Sudeste é uma manifestação cultural de matriz africana registrada em 2005, pelo Iphan, como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Presente em várias estados do sudeste, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, ele é originário da região do Congo-Angola, na África Meridional. Chegou ao Brasil com os negros de origem banto, trazidos para o trabalho escravo nas fazendas de café do Vale do Paraíba, no Sudeste.

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