Início Rio de Janeiro Investidores mantêm planos e acreditam no potencial do Rio
Rio de Janeiro

Investidores mantêm planos e acreditam no potencial do Rio

RIO - Ainda é cedo para se falar em fim da crise econômica. Mas o cenário desalentador que se seguiu à euforia pré-olímpica começa a mudar. Anunciada no ano passado pela Petrobras, a retomada das obras do Comperj está prestes a se tornar realidade, o que significará investimentos de R$ 4 bilhões e geração de cinco mil empregos. Na região do Porto Maravilha, o fantasma do abandono dos grandes investimentos em prédios comerciais ainda ronda, mas já não é tão assustador. A atividade cultural, ancorada no Museu do Amanhã, no Museu de Arte do Rio (MAR) e no AquaRio, ainda é o principal motor da região, que no entanto já começa a atrair grandes empresas. A Bradesco Seguros anunciou a transferência de sua sede para o Port Corporate, na Avenida Rio de Janeiro, a L'Oréal e a Granado instalaram-se na Avenida Venezuela, na Via Binário do Porto, e o YouTube inaugurou, em agosto de 2017, um monumental YouTube Space no Armazém 1 da região portuária, seu nono empreendimento do tipo no mundo, depois de Berlim, Londres, Los Angeles, Mumbai, Nova York, Paris, Tóquio e Toronto.

A cidade continua a ser considerada estratégica para grandes empresas, mesmo em cenário de crise. A Lojas Americanas, que abriu sua primeira loja carioca em 1930, é um exemplo. Nas décadas seguintes, tornou-se um gigante do varejo, presente em todas as regiões do Brasil, e o Rio se manteve como prioridade. Na cidade estão instaladas 116 lojas, das quais 28 foram abertas entre 2015 e 2017. A crise fluminense já se instalara, e os indicadores de segurança já vinham se deteriorando, mas os planos da empresa foram mantidos. A cidade responde por cerca de 10% do programa de expansão. Carlos Padilha, diretor financeiro e de relações com investidores da Lojas Americanas, afirma que, além de ser o símbolo do Brasil, o Rio é uma excelente oportunidade de desenvolvimento de mercado.

— É uma cidade diversificada, que reúne no mesmo espaço gente de todas as faixas etárias e socioeconômicas. Por isso, o Rio foi escolhido para sediar a primeira loja Express, em 2003, e a primeira loja de conveniência, em 2016.

Os desafios enfrentados pelo Rio de Janeiro também não foram obstáculo para que, em 2016, a argentina Ternium, maior produtora de aço da América Latina, decidisse comprar a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), em Santa Cruz, zona Oeste do Rio. A aquisição, concluída em setembro de 2017, envolveu um investimento de 1,4 bilhão de euros, feito no auge da crise econômica do estado. A empresa justifica a manutenção da compra pela confiança na recuperação da economia do Brasil e do Rio de Janeiro, e pelo papel estratégico que a usina carioca terá no desenvolvimento de aços especiais.

Para o YouTube, a decisão de investir no Brasil já estava tomada: o país é seu segundo maior mercado. Depois de um projeto piloto em São Paulo, a empresa decidiu que o Rio seria a melhor cidade para abrigar o YouTube Space, espaço de aprendizado, criação e produção da maior plataforma de vídeo do mundo. Segundo a diretora do espaço, Lívia Marquez, foram muitos os fatores determinantes para essa escolha: a beleza natural, o espaço disponível na região do Porto e a vocação de vanguarda da cidade, que é o berço da produção audiovisual brasileira.

Carlos Frederico Youssef, diretor de Operações do grupo carioca Saphyr, considera que o Rio de Janeiro é um produto que se vende sozinho. O Saphyr está presente em 11 cidades de oito estados, com 13 shoppings, dos quais três estão no Rio: São Conrado Fashion Mall, Bossa Nova Mall e Jardim Guadalupe, que representam investimentos totais de aproximadamente R$ 500 milhões. O Guadalupe, que fica às margens da Avenida Brasil, é um dos que mais crescem, e tornou-se referência na região em função do comércio e, também, da oferta de serviços para a população, como postos do Detran e do Serviço Nacional de Emprego (Sine). No Fashion Mall, a empresa mantém a mesma política de atuar no bairro. Além de manter uma área de serviços, o shopping é um grande empregador, principalmente para os moradores da Rocinha, onde recruta a maior parte da mão de obra.

— É uma outra maneira de contribuir para a cidade — diz Youssef.

Siga-nos no

Google News

Receba o Boletim do Dia direto no seu e-mail, todo dia.

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!