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Fotógrafos criam cursos práticos e promovem aulas-passeio

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RIO - A turma embarca num jipe 4X4 em Boa Esperança, no município de Nova Friburgo, e percorre alguns quilômetros por uma trilha de mata fechada em direção à cachoeira Indiana Jones. No caminho, num lamaçal, o guia manda todos descerem do veículo. Numa manobra radical, o motorista lança o carro num buraco, levantando uma cortina de barro, que respinga nas roupas e nas mochilas do grupo. Ninguém fica irritado. Pelo contrário: todos vibram com a possibilidade de clicar a cena off-road. A situação é típica de um tour fotográfico, modalidade de workshop em que o guia é um fotógrafo profissional. Com diárias a partir de R$ 50, as aulas são feitas na medida certa para quem adora registrar imagens mas, na correria do dia a dia, não tem tempo de exercitar o seu hobby. São as chamadas aulas-passeio, que valem como uma escapada e acontecem tanto em cenários rurais como em paisagens urbanas.

— São aulas para aprender na prática. E ainda se pode participar de uma atividade ao ar livre e em grupo, quase uma terapia — explica o fotógrafo Marcelo Piu, que juntou-se à colega de profissão Fernanda Dias e criou o workshop fotográfico Natureza & Aventura.

Apaixonado por viagens e especializado em fotografias de esportes radicais, Piu tem feito expedições em áreas de floresta. Já foi a Friburgo, Silva Jardim e prepara uma nova rota em Paraty. Ele e Fernanda vão aos locais para “mapear” os melhores ângulos e, durante o passeio, fazem o possível para deixar o aluno no clima: as aulas começam com um embarque num jipe, que percorre trilhas, com paradas estratégicas para fotos em cachoeiras, paredões ou lagos.

— O objetivo é que os alunos participem de uma aventura ao mesmo tempo em que recebem dicas práticas de fotografia — explica Piu.

A proposta desses cursos é ter uma câmera fotográfica — ou celular — na mão, várias ideias na cabeça e muita disposição para captar a melhor imagem. O fotógrafo Luís Alvarenga, da Escola de Fotografia Movimento In Foco, incluiu nos roteiros acampamentos fotográficos, onde os alunos vivem a experiência de acordar antes de o sol nascer e sair em grupo.

— São excursões com duplo objetivo: a pessoa conhece novos lugares e aprende a técnica. Vamos acampar em Búzios, perto da Praia de Tucuns, para fotografar em trilhas e numa viagem de saveiro. Mas também poderão fazer fotos da cidade e, à noite, de um festival de gastronomia — cita Alvarenga, que também organiza passeios para Paquetá e “coberturas-aulas” de festas religiosas.

A tradicional Festa de São Jorge, na igreja ao lado do Campo de Santana, no Centro, que começa com a alvorada ao amanhecer e atrai milhares de fiéis todos os anos, costuma ser um dos roteiros favoritos dos fotógrafos.

— Os alunos aprendem a educar o olhar, para enxergar os detalhes, e a fotografar sem interferir naquele momento íntimo, em que a pessoa está ali para demonstrar a sua fé — comenta a fotógrafa Marcia Costa, da Grande Angular Curso de Fotografia.

Quando os focos são arquitetura e história, a Praça Quinze e a Praça Mauá, também no Centro, são os cenários preferidos para a chamada fotografia de rua.

— Ao caminhar pelo Centro, procuro ensinar o aluno a achar a melhor fotografia e a enxergar a beleza das cenas. Costumo dizer que a fotografia de rua é uma mensagem, e que é preciso estar atento para captar as situações, que passam muito rápido na nossa frente — ensina o fotógrafo Bruno Kaiuca, que guia os alunos da Vagalumes Escola de Fotografia.

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