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Feira Literária Policial reúne histórias de crimes, vítimas que viram fantasmas e até insetos peritos

RIO - Desde a sua estreia com a publicação de “Assassinatos da Rua Morgue”, em 1841, do mestre Edgar Allan Poe, o gênero policial conquista milhões de leitores, atraídos pelo desafio de desvendar os mistérios deixados pelos autores nas entrelinhas de suas tramas. Após 176 anos da criação desse segmento, que imortalizou personagens como Sherlock Holmes e Hercule Poirot, uma parte do público do Rio terá a chance agora de conhecer o que escrevem brasileiros que têm, no seu dia a dia, a missão de desvendar crimes da vida real.

Em novembro, será realizada a I Feira Literária Policial (Flipol), que irá reunir delegados, inspetores, comissários e peritos do estado. Mas se engana quem pensa que a turma da polícia se limita a escrever romances com um crime a ser desvendado. A mostra será eclética: terá desde livros técnicos e romances a poesias e histórias infantis.

Claro que os crimes, reais ou inventados, também vão aparecer. Nas estantes, haverá casos verídicos e aventuras de detetives fictícios, assassinos mal-assombrados e até insetos peritos. Estes, no entanto, nada têm a ver com o mundo fantástico. “Insetos peritos” é o primeiro livro de autoria brasileira sobre entomologia forense, estudo da fauna encontrada em cadáveres para investigação criminal.

A autora da obra, a perita e bióloga Janyra Oliveira Costa tem em sua rotina o desafio de desvendar um crime ao analisar uma mosca, por exemplo. Ela trabalha com larvas e insetos encontrados em corpos que chegam ao Instituto Médico-Legal (IML). Segundo a perita, é possível descobrir há quanto tempo a vítima morreu e até mesmo se o óbito ocorreu no lugar onde o corpo foi encontrado.

— Gostei muito quando me ligaram para eu participar da feira literária — disse Janyra. — É uma ciência muito importante porque, por meio das larvas, podemos identificar até mesmo o DNA de agressores de crimes sexuais. Eu sei, o assunto é meio bizarro, mas para o bem, asseguro — defende a autora.

A Flipol também trará a segunda aventura do inspetor Marlos Wagner, um fictício especialista em armas e explosivos que deixou a Aeronáutica para trabalhar na Polícia Civil. Neste episódio, “O caso dos números”, o policial investiga uma série de homicídios em que as vítimas são escritores do gênero policial. O autor, Gunther Schmidt de Miranda, também saiu dos quadros da Aeronáutica para a Polícia Civil:

— Comecei a escrever literatura policial para relaxar. Para esquecer da polícia. Que coisa de louco, né?

Ainda no estande da ficção, estão cinco livros do delegado aposentado Rudolf Bickel, entre eles “A vingança dos assassinados”, que, como o nome sugere, conta a história sobrenatural de vítimas que se unem contra seus algozes.

— Os investigadores estranham uma sucessão de mortes suspeitas — revela o autor.

O comissário Daniel Gomes, da Divisão de Homicídios, também levará seus livros à Flipol. Um deles, “Como investigar crimes com a ajuda divina”, traz relatos de 30 casos, entre eles o do jornalista Tim Lopes.

O universo infantil também será contemplado na feira. O inspetor Lenardo Sanches é autor de um livro com duas histórias: a fábula de um menino índio que protegia os animais de Arraial do Cabo, na chegada das primeiras caravanas portuguesas em 1500, e um roteiro teatral, “Seja útil”.

— Este é meu primeiro livro, mas eu já tinha feito roteiros para a tevê e para o cinema.

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