RIO — “A população da Lagoa não concorda com o fim da Operação Lagoa Presente. Porque acabar?” A mensagem, escrita numa faixa, vem chamando a atenção de quem passa pela Lagoa, em direção ao Túnel Rebouças. Assinada por uma comissão de moradores do bairro e pela Associação de Moradores da Fonte da Saudade e Adjacências, ela foi instalada no local com forma de protesto e apoio ao programa, segundo um representante da Amofonte que pediu para não ser identificado.
— Vimos notícias de que ia acabar, então penduramos as faixas como forma de apoio. Estamos desprovidos de tudo na cidade, este programa é muito benéfico para o bairro. Não pode acabar. Teremos uma reunião semana que vem para discutirmos esta questão — disse.
Segundo o estado, não há risco de o projeto terminar agora. A Secretaria de Governo informou que o projeto no Centro foi renovado em 1º de julho de 2017 por mais um ano. O mesmo ocorreu em dezembro, para Lagoa, Méier e Aterro.
Nos últimos dois anos, numa parceria com o governo do estado e a prefeitura (esta apenas no Centro), o Sistema Fecomércio investiu R$ 44 milhões na Segurança Presente. O trabalho envolve 900 policiais nos quatro bairros. Segundo a Secretaria estadual de Governo, que coordena o projeto, até o último domingo, a operação já tinha registrado 6.050 prisões em flagrante por crimes como roubo, furto, posse de drogas e porte de arma de fogo. Os agentes também prenderam 941 foragidos da Justiça, sendo 634 só no Centro. Durante as ações, 10.494 moradores de rua foram encaminhados a abrigos.
O projeto ajudou a conter os números da violência. Na Lagoa, por exemplo, de junho a outubro de 2017, não houve assalto a turista ou a ciclista.
A Operação Segurança Presente foi inspirada no projeto Lapa Presente, criado em janeiro de 2014 e mantido pelo estado. Em dezembro de 2015, o programa chegou ao Aterro, ao Méier e à Lagoa. Com recursos da prefeitura e do Sistema Fecomércio, em julho de 2016 foi implantado no Centro.
No início de janeiro, Bittencourt disse que iria analisar com profundidade o programa e, então, decidir sobre o seu futuro. Sob suspeita de irregularidades administrativas, a direção do Sesc e do Senac no Rio foi afastada por decisão da Justiça, a pedido da Confederação Nacional do Comércio.

