Início Rio de Janeiro Eventos como festival mexicano pelo Dia dos Mortos dão clima cultural ao feriado no Rio
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Eventos como festival mexicano pelo Dia dos Mortos dão clima cultural ao feriado no Rio

RIO - Arte para aliviar a dor. Para muitos cariocas, o Dia de Finados é sinônimo de tristeza. Mas atividades culturais promovidas nesta quinta-feira em diferentes pontos da cidade - incluindo dentro de cemitérios - deram um certo colorido ao feriado. No Jardim da Saudade de Paciência, quem foi homenagear parentes e amigos mortos se deparou com um balé de artistas do Teatro Municipal. No Cemitério da Penitência, no Caju, houve apresentação da Orquestra da Maré. Já na orla de Copacabana, pessoas vestidas de zumbi fizeram uma espécie de carnaval com um toque assustador. Em Santa Teresa, em um ambiente que em nada lembra Finados, a quinta-feira foi de festa: o Parque das Ruínas entrou no clima do tradicional Dia dos Mortos celebrado no México, com um festival que teve música, cinema, exposição fotográfica e gastronomia típica do país.

Diferentemente do Brasil, a data é motivo de comemoração para os mexicanos. As famílias creem que, no dia, os entes queridos que "foram adiante no caminho" retornam ao mundo dos vivos.

- Vim trazida por minha neta, que está fazendo um trabalho de escola sobre o México, e estou gostando. Já tinha lido sobre essa tradição e concordo que devemos lembrar os mortos pelo aspecto positivo - afirmou a professora Valéria Vianna, de 63 anos, moradora de Santa Teresa.

O cônsul de Comunicação e Cultura do México, Adolfo Zepeda Sofia, explicou que, na véspera de Finados, os parentes costumam ir aos cemitérios enfeitar os túmulos com flores, alimentos e muitas cores. Em suas casas, montam um altar de oferendas com comidas e bebidas que o morto apreciava, além de objetos pessoais.

- Trouxemos para o festival elementos para mostrar no Rio um pouco dessa tradição. Em Belo Horizonte, já estamos na quarta edição. Se tudo der certo, pretendemos repeti-lo aqui no ano que vem - disse o cônsul.

Enquanto isso, na orla de Copacabana, pessoas vestidas de zumbis fizeram um desfile no evento "Zombie Walk", que acontece há dez anos no Dia de Finados. Até crianças entraram no cenário de filme de terror, com fantasias cheias de "sangue". No meio do caminho, entre o Copacabana Palace e o Arpoador, a turma se divertiu com uma banda de rock. Entre os fantasiados, havia gente de policial, inclusive carregando réplicas de armas, representando cenas de caçada a zumbis. A encenação chegou a assustar alguns pequenos que passeavam na praia com os pais.

No Cemitério Jardim da Saudade de Paciência, a apresentação de balé contou com a curadoria das primeiras bailarinas do Municipal Ana Botafogo e Cecília Kerche. Cerca de mil pessoas, nas contas da instituição, assistiram ao espetáculo, chamado "Vida à Arte - Grandes Clássicos do Balé", que reuniu trechos de obras como "Cisne Negro", "Spartacus" e "A Bela Adormecida".

- Foi emocionante alegrar os visitantes neste dia com arte - comentou Ana Botafogo, que tirou muitas selfies com o público. - Os bailarinos apresentaram um espetáculo com joias do repertório clássico. Todos nós saímos felizes por termos dado momentos de encantamento.

Os bailarinos foram muito aplaudidos. O advogado José Alencar, cujo pai está sepultado no Jardim da Saudade de Paciência, saiu mais leve após o balé:

- O cemitério conseguiu fazer um trabalho lúdico de total respeito à dor dos visitantes. Que alegria e que conforto proporcionou a apresentação do balé de Ana Botafogo com os bailarinos do Municipal. Muito lindo.

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