RIO - O secretário municipal de Educação, César Benjamin, estuda o pagamento de gratificação para profissionais que trabalham em escolas da rede localizadas em áreas de risco. Segundo ele, mais de 400 colégios ficam em regiões conflagradas. O mapeamento das unidades, que ainda não foi concluído, depende da finalização de um estudo do Instituto Pereira Passos (IPP), que deve ficar pronto até o meio do ano. Na prática, o secretário quer oferecer a esses trabalhadores um bônus de até 15% sobre o salário, que atualmente já é destinado a quem atua em áreas de difícil acesso.
— O estudo ainda está em andamento, e vamos aprofundá-lo para conseguir encaminhar um projeto de lei à Câmara ainda este ano — garantiu Benjamin, acrescentando que criar essa gratificação não é uma tarefa simples: — Temos cerca de 400 escolas nesta situação, então teria um impacto orçamentário grande. Estamos colocando no mapa, para quantificar tudo. Nosso plano inclui professores e funcionários também.
Os profissionais das unidades que funcionam no Complexo da Maré foram citados por Benjamin como futuros beneficiários do projeto. Atualmente, o local é considerado de fácil acesso, por estar perto da Avenida Brasil, e, por isso, os servidores não têm direito a bônus. O secretário não soube especificar quantos dos cerca de 70 mil profissionais de educação serão beneficiados com a medida. A rede municipal tem aproximadamente 42 mil professores.
Apesar da possibilidade de receber um bônus em dinheiro, a notícia sobre a gratificação não é considerada positiva pela professora Janete da Silva, do Ciep Ministro Gustavo Capanema, que fica na Maré. Para ela, a medida seria um paliativo, pois não resolveria o problema da falta de segurança na região.
— Conseguimos criar uma identidade para a escola ao longo dos anos, apesar da violência. Mas outras unidades têm dificuldade para fazer o mesmo, porque os professores ficam pouco tempo. Nós já perdemos profissionais muito bons, que não aguentaram a pressão — conta a professora. — A insegurança é muito grande. Às 5h já tem gente perguntando nos grupos de Whatsapp se é seguro ir à escola para dar aula.
Coordenador de projetos do movimento Todos pela Educação, Caio Callegari acredita que a gratificação pode atrair profissionais mais qualificados para as áreas de risco:
— Não temos estudos sobre a oferta de bônus para quem trabalha em área conflagrada, mas sobre gratificações para professores darem aula em escolas mais distantes. Algumas pesquisas mostram que há uma melhora na qualidade do estudante. A avaliação é de que a gratificação acaba atraindo professores em estágio mais avançado de docência. Para dar uma motivação real, é necessário um sistema amplo de incentivo. E uma ferramenta deste sistema é a remuneração.
Benjamin também demonstrou preocupação com a falta de professores na rede pública. Segundo ele, cerca de cem pedidos de aposentadoria chegam à secretaria todo mês, um ritmo superior ao registrado em anos anteriores. Em 2017, o município perdeu 2.287 professores, sendo que 1.841 saíram por motivo de aposentadoria ou morte. Nesta quinta-feira, o secretário pedirá à prefeitura a convocação de 1.685 professores as vagas em aberto.
— Com esse debate da reforma da Previdência, as pessoas estão correndo para se aposentar — afirma Benjamin.



