RIO - Moradores do Condomínio Viçoso Jardim — construído para acolher 180 famílias desabrigadas após o deslizamento do Morro do Bumba, em Niterói, onde 48 pessoas morreram, em abril de 2010 — temem uma nova tragédia. Desta vez, a ameaça é a encosta de 15 metros de altura, localizada atrás do conjunto habitacional, que tem nove prédios. A água das chuvas está infiltrando no solo da barreira e, aos poucos, faz com que blocos de terra escorreguem em direção aos edifícios.
Preocupado com a situação, o presidente da Associação de Moradores do Condomínio Viçoso Jardim, André Luiz de Oliveira Silva, o Cajá, de 42 anos, contou que já pediu ajuda à prefeitura, que, segundo ele, nada teria feito. O conjunto habitacional foi construído pela Empresa de Obras Públicas do estado (Emop) e inaugurado há cinco anos, completados em dezembro. Ainda de acordo com Cajá, o condomínio foi entregue incompleto, sem rede para a coleta de água de chuva e com problemas que, agora, começam a aparecer, como infiltrações em apartamentos e equipamentos que expõem crianças e idosos a riscos. A obra incluiu a construção de um muro de contenção, limitado a 30% da encosta.
— Em outubro do ano passado, um representante do Ministério Público esteve aqui fazendo uma vistoria e condenou a encosta. Ele alertou à Defesa Civil, que acionou a prefeitura. Um representante do município esteve no local e garantiu que o muro de contenção começaria a ser construído no máximo até o fim de novembro. Mas até agora nada aconteceu. E isso é um risco para quem já sofreu tanto. Tem gente que demora para conseguir dormir até hoje e que, ao menor sinal de chuva, fica acordada a noite toda com receio. Esta encosta é um risco para quem mora especialmente nos primeiros andares — alertou Cajá.
RELÓGIOS DE LUZ PRECÁRIOS
O presidente da associação de moradores também reclama da forma como o condomínio foi construído. Ele mostrou um cartaz anunciando como seria o conjunto, que deveria ter gramado e até palmeiras.
Com o passar do tempo, infiltrações se espalharam por vários apartamentos. As caixas com os relógios de luz também estão despencando das paredes das portarias. E as canaletas por onde escorre a água das chuvas têm sido um risco para crianças e idosos, que tropeçam e caem no chão.
— Nós, moradores, nos ajudamos mutuamente. Construímos juntos uma praça com brinquedos e uma quadra pequena de futebol. Pedimos apoio à empresa de energia da cidade para retirar um poste de luz, mas não recebemos ajuda — reclamou o líder comunitário.
Cajá desconhece se a sirene de alerta de riscos, instalada num poste em frente ao condomínio, está funcionando. Mas a prefeitura e o Ministério Público garantem que o equipamento está ativado e funcionando. A prefeitura assegura ainda que a encosta dos fundos do Condomínio Viçoso Jardim “não apresenta risco de desmoronamento iminente” e que o local vem sendo monitorado regularmente pela Defesa Civil de Niterói.



