Início Rio de Janeiro Em vídeo, Sarda agradeceu por ter sido ‘tratado como gente’
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Em vídeo, Sarda agradeceu por ter sido ‘tratado como gente’

RIO - Pouco antes de ser internado na Clínica Revitalis, em Araras, na sexta-feira passada, Carlos Eduardo Maranhão, o carioca resgatado por antigos amigos do Colégio Santo Inácio, na Cracolândia de São Paulo, gravou um vídeo em que aparece de barba feita, bem humorado e disposto. Dizia que “antes não cogitava de maneira alguma qualquer tipo de tratamento para dependência química”, e que achava “surpreendente” o que estava acontecendo. A mensagem foi gravada no celular de Rogério Rodrigues, da empresa contratada para trazer Sarda, como ele era conhecido entre os ex-colegas, para o Rio. Carlos Eduardo morreu na tarde de quarta-feira ao sofrer uma parada cardiorrespiratória durante a internação.

Na manhã em que gravou o vídeo, antes de ser internado, Sarda acordou cedo e tomou banho pelo segundo dia seguido pela primeira vez em muito tempo, já que dizia só fazer isso a cada dez dias quando morava nas ruas. Eram 9h, ele estava bebendo café e fumando um cigarro ao sair para a clínica. Agradeceu ter sido “tratado como gente”.

“Apesar de conhecê-los há pouco tempo (a equipe da remoção), sinto que são mãos amigas. Não estão me removendo, me transportando, me jogando de lá para cá como muitos desse pessoal que faz esse serviço trata os dependentes. Estão me levando realmente, estão indo junto comigo para onde eu vou. Obrigado. Ser tratado como gente é sempre bom”, disse, antes de ser abraçado por Rogério.

— Ficamos conversando até de madrugada. Ele contou que tinha muito medo de ficar sem heroína. Disse que tinha uma turma de quinze usuários de heroína em São Paulo e que só ele e mais dois estavam vivos, mas ele tinha medo de ficar sem. Ele sabia que medicação precisaria tomar para enfrentar a abstinência. Dizia que, se passasse do quinto dia, conseguiria vencer, e que o vício do crack era fácil pra ele, difícil era o da heroína — contou Rogério.

Sarda morreu no sexto dia, e seus amigos ainda sofrem com a esperança frustrada tão pouco tempo após a emoção do reencontro.

— É um sentimento difícil, de frustração, mas ele teve a oportunidade de se sentir amado antes de morrer. A gente faria a mesma coisa de novo — diz o amigo André Machado, da turma de Carlos Eduardo no Santo Inácio. — Cada um de nós teve a oportunidade de conversar com os filhos sobre o mal que as drogas fazem. Minha filha de 15 anos e meu filho de 11 ficaram muito tristes.

Segundo Sergio Rocha, psiquiatra e diretor da Revitalis, Carlos Eduardo não apresentava situação de emergência ao chegar na clínica. Por isso, não passou por exames que detalhassem sua condição física. De acordo com a clínica, Sarda tinha histórico de endocardite bacteriana, "doença comum em usuários de drogas injetáveis”.

Para a psiquiatra Julieta Guevara, “se alguém usa crack e heroína por vinte anos a primeira coisa a ser feita é uma revisão de cima abaixo, especialmente na parte cardiológica, mas também toda a parte hepática e doenças sexualmente transmissíveis.

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