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Em reunião, líderes religiosos revelam angústia com direitos da população durante intervenção

RIO - As dúvidas e as angústias de líderes religiosos a respeito das ações que serão realizadas durante a intervenção federal da Segurança Pública do Rio chegaram ao interventor, general Walter Souza Braga Netto. Cerca de 60 pessoas, representantes de 13 denominações religiosas, se reuniram com o militar na sede da Arquidiocese na última sexta-feira. A ideia do encontro partiu do pastor Abner Ferreira, líder da Assembleia de Deus Madureira, que recebeu apoio do arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta. A conversa foi “acadêmica”, nas palavras do general Marco Aurélio Costa Vieira, que participou do evento após de Dom Orani. Um dos receios expostos pelos religiosos é que, com as operações envolvendo tropas federais, haja uma limitação dos direitos dos moradores em favelas.

— Achei espetacular. Foi um debate bastante democrático. Eles colocaram as suas ansiedades. Realmente há quase que um clamor público para mudar o estado atual. A preocupação maior deles é a de que esteja havendo um cerceamento de liberdade e que as políticos públicas não estejam adequadas a esse problema. Até os religiosos têm dificuldades no ir e vir em certas localidades. Essa é a preocupação mais urgente deles. Se manifestaram claramente — explica Costa Vieira, defendendo o contato com as religiões: — Foi uma reunião interessante porque Dom Orani conseguiu reunir líderes de todas as religiões do Rio, como evangélicos e umbandistas, onde foram colocadas as angústias e as visões. Eles trabalham em comunidades, têm contatos íntimos com essa população. Eu fui explicar o que era a intervenção.

O general Marco Aurélio Costa Vieira é general de divisão da reserva do Exército Brasileiro, com mais de 40 anos de serviço. Ele atuou como Diretor Executivo de Operações dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e foi, também, Diretor Executivo do Revezamento da Tocha Olímpica em 2016. Em sua conta em uma rede social, ele informa ter experiência em Planejamento Estratégico, Inteligência Estratégica e Segurança Estratégica, entre outras habilidades. Frequentou a Academia Militar das Agulhas Negras entre 1970 e 1973.

Costa Vieira se tornou bacharel em Educação Física em 1976 pela Escola de Educação Física do Exército. Já pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, em 1982, é mestre em Operações Militares. Marco Aurélio informa, ainda, ser, desde 1989, doutor em Ciências Militares, Operações e Logística Militar pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

A reunião da semana passada foi iniciativa dos religiosos e Costa Vieira não está escalado para continuar com a interlocução, garante o próprio. O general, porém, diz que o interventor já foi informado sobre o encontro e que acredita que “estreitar os laços” faça parte do planejamento do responsável pela área da Segurança Pública.

— Foi iniciativa dos religiosos e não teve participação do Braga Netto, mas eu relatei a minha experiência que é necessária esse tipo de ligação (). Ele () sabe disso, vai provavelmente incluir isso no plano. Conversei com o Braga Netto e ele achou muito interessante. Ele já disse que esse contato vai estreitar os laços dos planejamentos dele — disse Costa Vieira, que durante o encontro afirmou que existem 843 comunidades dominadas pelo tráfico ou pelas milícias no Rio e assegurou que, pelo menos, em metade dessas localidades o estado não entra.

De acordo com a Arquidiocese, além de Dom Orani, dos bispos do Regional Leste 1 da CNBB e dos bispos auxiliares da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, estiveram presentes também no encontro os representantes das seguintes religiões: Paulo Maltz, da Federação Israelita; Sami Isbelle, da Mesquita da Luz – Sociedade Muçulmana; Padre Marcelo Torres, do Patriarcado Ortodoxo de Antioquia; Padre Serguei, do Patriarcado Ortodoxo Russo; Pai Marcio de Jagun, representando o Candomblé; Bispo Boanerges Garro, da Igreja Mórmon; Marilena Mattos Andrade, do Movimento Umbanda do Amanhã; Monge Hakuel Cardoso, do Budismo; Raga Buhmi, Hare Krishna; Helio Ribeiro, Juristas Espíritas; Adriano Barros de Almeida, do Conselho Espírita do Rio de Janeiro; Bispo Abner Ferreira, Presidente da Assembleia de Deus.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o bispo Abner Ferreira informou que não falaria sobre o encontro. O bispo, entretanto, compôs a mesa do encontro com Dom Orani e o general, . Durante o evento, Abner Ferreira afirmou estar confiante no trabalho das Forças Armadas.

— Evidentemente que nós, que moramos no Rio de Janeiro, sabemos que o estado não conseguiu controlar essa questão do tráfico de drogas e da violência recorrente disso. Eu venho aqui não como um religioso, mas como um cidadão, dizer que tenho uma profunda esperança que nós, sociedade carioca, deixaremos de ser reféns dessa guerra que parece não ter fim e solução, sequer controle. Nós já vimos muita pirotecnia de pessoas até bem intencionadas, mas em pouco tempo víamos que nada do que estavam tentando fazer dava certo. Nosso Exército é uma das instituições de maior credibilidade no nosso país e o povo do Rio está esperançoso de que ele pode intervir de maneira cirúrgica e com capacidade para acabar com essa guerra. O Cristo Redentor está de braços abertos para nos abençoar e desejamos que Deus abençoe cada vez mais o Brasil — afirmou o bispo ao site da Arquidiocese.

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