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Em busca do bloco secreto, foliões apelam para boca a boca e internet

RIO — Engana-se quem considera fácil a vida do folião carioca. Nos blocos de rua do Rio, além da preocupação com fantasias originais e a escolha dos melhores cortejos — uma tarefa e tanto para quem prepara o roteiro da farra entre amigos em grupos no WhatsApp —, os carnavalescos mais descolados também são obrigados a desenvolver faro jornalístico numa espécie de caça ao tesouro que a cada ano ganha mais adeptos: descobrir hora, data e local dos “blocos secretos".

Embora não seja mais segredo que blocos “sem agenda" acontecem à sombra dos desfiles mainstream, a chama do mistério mantém seu charme. Blocos como Boi Tolo, Amigos da Onça, Minha Luz é de LED, Desce, Mas Não Sobe, Sereias da Guanabara, Vem cá, Minha Flor, Bonytos de Corpo, Viemos do Egyto e o secretíssimo Bloco Secreto, que a cada ano muda de nome, buscam o brilho da espontaneidade ao divulgar informações somente pouco antes de tomarem conta das ruas. Alguns dispensam até mesmo as redes sociais: os pontos de encontro ficam restritos ao boca a boca e cabe ao folião correr atrás das evidências.

—Essa estratégia de manter secreta a saída do bloco, além de instigar o folião a buscar informações, nos protege de transformar o bloco num evento para um milhão de pessoas, pois não temos estrutura para isso — explica o produtor cultural Mariano Martins, à frente do bloco Viemos do Egyto, que há seis anos conduz foliões animados atrás de uma bicicleta ao som de clássicos da axé music.

SIGILO A TODO CUSTO

O Viemos do Egyto não deixa os foliões na mão. Assim como outros blocos, a data, horário e local do cortejo são divulgados nas redes sociais horas antes de sua concentração. A colher de chá, no entanto, está longe de ser regra: há blocos que não abrem mão do sigilo, como o Desce, Mas Não Sobe, que em 2016 arrastou multidão pelas ruas da Glória. Em fevereiro, ele divulgou nota no Facebook dizendo que não retornaria ao bairro este ano. O cortejo acabou acontecendo dois dias depois, em Santa Teresa, na base do boca a boca, o que deixou alguns decepcionados. Os mais antenados, porém, conseguiram curtir:

—Fiquei sabendo do bloco pelo amigo de uma amiga que encontrei no bloco Prata Preta, na Gamboa — conta o advogado Renato Rampini. — Nos mandamos para Santa Teresa ainda com aquele pé atrás de poder quebrar a cara e não ter nenhum bloco, mas, quando chegamos, estava rolando concentração.

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