Início Rio de Janeiro Dois pacientes aguardam há, ao menos, dez dias por cirurgias nas redes públicas
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Dois pacientes aguardam há, ao menos, dez dias por cirurgias nas redes públicas

RIO — O técnico de ar-condicionado João Daniel Salvador dos Santos, de 33 anos, estava trabalhando quando caiu de uma escada e quebrou o pé. O acidente aconteceu no dia 20 de fevereiro, e ele foi levado para o Hospital municipal Souza Aguiar, no Centro. Já no último dia 2, o mecânico Márcio Luís Augusto, de 42, chegou à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Copacabana, do governo do estado, com laudo médico indicando que já tinha tido três problemas cardiovasculares. Desde então, ambos vivem dramas semelhantes: aguardam por procedimentos cirúrgicos simples.

A mulher de João Daniel, Rute Elen dos Santos, de 31 anos, afirma que ainda não teve qualquer definição sobre quando será feita a cirurgia ortopédica, para colocação de um pino.

— Os médicos disseram que não é uma fila, que precisa esperar a disponibilidade de leitos e que pode, por exemplo, chegar a vez dele e aparecer alguém muito mais grave e passar à frente. O primeiro médico que o atendeu disse que essa fratura é gravíssima, tanto que ele vai ter que ficar dois meses sem pôr o pé no chão — diz Rute. — O médico disse que, se tiver calcificação errada por causa da espera, eles vão quebrar novamente o osso para por o pino.

Na sexta-feira, o técnico foi transferido para o Hospital municipal Barata Ribeiro, na Mangueira. A família continuou sem qualquer informação sobre a cirurgia. Com João Daniel internado, o casal perdeu a única fonte de renda. A solução foi Rute fazer faxina para sustentar os dois filhos. Enquanto isso, as crianças ficam com uma tia.

Se na rede municipal a situação está ruim, na estadual, a vida de Mário Luís está em risco. A afirmação é do cardiologista Luiz Cláudio Maluhy Fernandes, sócio da clínica onde o mecânico, morador de São João de Meriti, fez seu primeiro exame.

— O paciente fez um exame em minha clínica, e a constatação é de que ele tem uma taquicardia ventricular, uma fibrilação ventricular e teve uma parada cardíaca. E ele teve uma série de sintomas decorrentes destes problemas. Desde sexta-feira passada, estamos nesta luta, quando o mandei ir para Copacabana fazer um exame mais sofisticado — conta o médico. — Ele tem que colocar um marca-passo. O risco é de morte se isso não for feito.

A mulher de Márcio Luís, Angélica dos Santos Augusto, afirma que até a tarde de ontem não havia informações sobre quando seria feita a cirurgia.

— Ficou uma situação complicada, porque moramos longe e eu trabalho. — conta ela. — Ele começou a ter problema há meses. Passou a desmaiar com frequência.

A Secretaria estadual de Saúde afirmou que Márcio Luís seria transferido ainda ontem para o Instituto Estadual de Cardiologia. E, em nota, a Secretaria municipal de Saúde informou que o Souza Aguiar é uma unidade em que os casos de maior gravidade e urgência têm prioridade. “Para casos ortopédicos de menor gravidade, como o de João Daniel, o tempo médio de espera atualmente é de cerca de 20 dias para cirurgia. No Barata Ribeiro, a espera cirúrgica para casos como o deste paciente costuma ser menor. Ele deverá ser operado em breve.”

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