RIO - Uma distribuidora de gás chegou à Rocinha, na manhã desta segunda-feira, para vender o produto de 13 kg pelo preço já reduzido. O produto passou de R$ 91,80 para R$ 76, entregue em casa. Um policial do Batalhão de Choque contou que, na operação realizada na manhã desta segunda-feira em becos da comunidade, foram vistas várias inscrições feitas recentemente com a abreviação da nova facção que estaria controlando a venda de drogas no morro, que é rival à do traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem.
No sábado, cartazes espalhados pela comunidade chamaram a atenção de quem circulou pela região neste sábado. Em meio à disputa entre traficantes pelo controle da favela, "a nova administração" pendurou faixas anunciando a diminuição do preço do gás. Os moradores estavam pagando R$ R$ 91, 80, uma queda de 18,3%. A suspeita é de que os cartazes tenham sido afixados por ordem do traficante Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, já que o texto culpa o rival pela cobrança extorsiva que era feita. A Polícia Civil tem informações de que Rogério controla a comercialização dos botijões na comunidade, além de outros serviços, como a venda de galões de água.
PMs da UPP Rocinha retiraram duas faixas — uma na localidade do Boiadeiro, na noite de sexta, e outra na Roupa Suja, na tarde deste sábado. Nos cartazes, criminosos afirmam que a comunidade era forçada a aceitar preços abusivos porque a ordem era dada por Nem (apelido de Antônio Francisco Bonfim Lopes). “A nova administração nunca se envolveu nesses abusos, pois não concordava com as taxas cobradas”, diz o texto. Três hashtags foram escritas no fim do comunicado. Uma delas repete uma frase gravada num cordão usado por Rogério 157: “Jesus é o dono do lugar”.
Apesar da disputa pelo controle da Rocinha, os moradores da favela comemoraram a queda do preço.
As faixas apreendidas pela UPP foram levadas para a 11ª DP (Rocinha), que vai investigar o episódio.

