RIO - O reitor da UFRJ, Roberto Leher exonerou hoje o diretor do hospital Universitário, Eduardo Côrtes. A institutuição confirmou o afastamento do cargo, mas ainda não informou o motivo. Agora pela manhã, o Roberto Leher está reunido com o Conselho Administrativo do Hospital. Eduardo Côrtes vinha desde outubro passado denunciando as condições precárias de funcionamento da unidade que, segundo ele, corria risco de fechar as portas por falta de dinheiro. Ele cobrou que a universidade não teria repassado recrusos para o pagamento de cerca de 700 de um total de 3 mil funcionários. Em entrevista ao GLOBO há cerca de um mês, Eduardo previu que o não pagamento de cerca de R$ 1,2 milhão no mês de novembro, invibializaria o funcionamento da instituição, que, por mês, atende cerca de 16 mil pacientes ambulatoriais, faz cerca de 400 cirurgias e tem 260 leitos de internação.
Por trás da falta de recursos, havia um impasse entre o hospital e a reitoria da universidade. Em condições normais, a universidade reserva parte de seu orçamento anual para o pagamento desses funcionários, chamados de extraquadros, por não serem de carreira. São médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, e profissionais de administração contratados sem concurso público para cobrir as necessidades de pessoal. O restante de funcionários tem o salário assegurado, pois se enquadra na categoria de despesa obrigatória. Por ser um hospital universitário, a unidade deve pagar seu pessoal com recursos do Ministério da Educação, não da Saúde.
Não é o primeiro ano em que o dinheiro para os extraquadros fica mais curto. Em 2015 e em 2016, só foi suficiente para pagar salários desses funcionários até os meses de setembro. Naqueles dois anos, a administração do hospital resolveu cobrir a diferença com o dinheiro do Sistema Único de Saúde (SUS), cerca de R$ 3,8 milhões mensais (valor que varia de acordo com a produção do hospital). A decisão, no entanto, gerou consequências para o funcionamento da unidade. Primeiro, porque faltou dinheiro para o custeio, o que obrigou a unidade a se endividar — hoje, há um rombo de cerca de R$ 6 milhões por causa disso. Segundo, porque é contra a lei complementar 141, na avaliação do próprio diretor da instituição, que admite que foi um erro assumir esses pagamentos no passado.
O problema é que, este ano, a verba ficou ainda mais restrita. A UFRJ só previu o pagamento de recursos até a folha de agosto. Para piorar o impasse, a reitoria reteve do dinheiro do SUS (que cai no caixa da universidade) o R$ 1,2 milhão necessário para pagar os extraquadros. Na prática, afirma o diretor, a estratégia é devolver esse dinheiro no começo de outubro, o que obrigaria o hospital a pagar esses profissionais com os recursos do SUS, o que seria ilegal, na avaliação de Eduardo Côrtes.



