RIO - Os cariocas que forem nesta quinta-feira ao Parque das Ruínas, em Santa Teresa, poderão conhecer um pouco da cultura mexicana na celebração do Dia de Finados, com o Primeiro Festival do Dia dos Mortos. Diferentemente do Brasil, aquele país vivencia um clima de festa em 2 de novembro. As famílias crêem que, na data, os entes queridos que "foram adiante no caminho" retornam ao mundo dos vivos e, por isso, preparam uma grande comemoração.
- Não conhecia direito essa tradição. Mas acho que, de certa forma, é assim que deve ser. Lembrar os mortos pelo lado bom. Essa semana mesmo fui ao velório de um amigo, que, além de engenheiro, era DJ. Numa certa altura, as irmãs dele colocaram para tocar a música “Last dance” (sucesso na voz de Donna Summer, rainha da disco music nos anos 1970). Todo mundo saiu dançando em volta do caixão. Era o modo como elas queriam se despedir dele - contou o administrador de empresas, Maurício Machado, de 53 anos.
O cônsul de Comunicação e Cultura do México, Adolfo Zepeda Sofia, explicou que, na véspera de Finados, os familiares costumam ir aos cemitérios enfeitar os túmulos com flores típicas, alimentos e muitas cores. Em suas casas, montam um altar de oferendas com comidas e bebidas que o morto apreciava, além de objetos pessoais.
- Trouxemos para o festival elementos para mostrar no Rio um pouco dessa tradição. Em Belo Horizonte, já estamos na quarta edição. Se tudo der certo, pretendemos repeti-lo aqui no ano que vem - disse o cônsul.
O festival vai até 18h e reúne apresentações artísticas, musicais, cinema, oficinas, leituras e exposição fotográfica, além de pratos da gastronomia mexicana.
- Vim trazida por minha neta, que está fazendo um trabalho de escola sobre o México e estou gostando. Já tinha lido a respeito dessa tradição. Concordo que devemos lembrar os mortos pelo aspecto positivo - afirmou a professora Valéria Vianna, de 63 anos, moradora no bairro.
O engenheiro Carlos Monteiro, de 61 anos, diz que não acredita em vida após a morte, mas mesmo assim defende os que escolhem confraternização com os entes queridos, como fazem os mexicanos.
- É uma forma de ajudar a nós, seres humanos, a aprender a conviver com a finitude, que é um dilema da humanidade - afirmou.



