RIO - O prefeito Marcelo Crivella disse nesta segunda-feira que pode romper com a Cedae e criar uma companhia municipal de água e esgotos (Cmae), caso a prefeitura não participe das discussões sobre o processo de privatização da empresa que levem em conta os interesses do Rio. As declarações do prefeito foram dadas numa visita à Pavuna, onde se reuniu com lideranças comunitárias da região. A afirmação foi feita logo após a Alerj aprovar a mensagem do governo do Estado que autoriza a venda da companhia.
— Eu quero ajudar o governo do Estado a se recuperar. E se as ações da Cedae ajudarem a isso não queremos ser um empecilho. Mas precisamos ser ouvidos. O Rio de Janeiro tem interesse que se for realmente efetivada a venda da Cedae, de participar. Nós precisamos fazer parte dessa mesa de discussão. Eu quero saber se vou ter voz nisso. Se a Câmara dos Vereadores e secretários vão ser ouvidos sobre planos e projetos da cidade para o saneamento. Se não formos ouvidos não daremos autorização para a concessão na cidade do Rio de Janeiro nem para fornecimento de água nem para coleta e tratamento de esgotos. A prefeitura está disposta a discutir qualquer proposta inclusive criar nossa empresa municipal de água e esgotos — disse Marcelo Crivella.
Na avaliação do prefeito, neste momento em que o governo do Estado se prepara para fazer a modelagem da concessão da empresa, há uma série de dúvidas sobre como se dará esse processo de privatização da companhia, caso realmente seja efetivada. Ele lembrou ainda que pela Constituição Federal, cabem aos municípios deliberar sobre a concessão de água e esgotos.
— O povo do Rio de Janeiro está se questionando o seguinte. Se a Cedae for vendida como vai ficar o preço da água, que é fundamental para a vida da gente? Como vai ficar a coleta e o tratamento dos esgotos? Como vão ficar as metas para a limpeza de nossos rios, lagoas da nossa Baia de Guanabara que nos envergonha a todos. A classe política já não tem mais o que dizer à população. Por isso que está se tornando um vexame perpétuo. Nos precisamos discutir isso — acrescentou o prefeito
Crivella acrescentou que o cenário atual em relação ao processo de privatização da companhia ainda é uma incógnita. Segundo ele, não é possível saber pela situação atual, se, caso a empresa seja vendida, os investimentos serão redirecionados para os locais onde os investimentos seriam mais prioritários. Ele também defendeu que os prefeitos da região metropolitana atendidos pela Cedae se unam para defender seus interesses em comum. Na sexta-feira, Crivella defendeu essa tese num almoço com oito prefeitos da Baixada Fluminense, no Palácio da Cidade.
— O governador Pezão, espremido pela situação do Estado tem que aceitar uma imposição do Governo Federal. O que não diz respeito direto aos nosso interesse. Por que? Nós não sabemos se essas ações serão vendidas para uma empresa francesa americana, inglesa. que virá aqui para explorar bens que para nós são fundamentais. Quanto isso vai custar? Será que termos 100 por cento dos nossos lares atendidos com boa água e esgotos coletados e tratados? Porque isso para nós é fundamental. A Cedae não é uma empresa deficitária, está tendo lucro. O Rio de Janeiro paga um pouco mais pelos serviços poderíamos pagar menos se tivéssemos uma concessão . O lucro que a Cedae tem No Rio é aplicado São João Belford Roxo, Mesquita. Em outros municípios. Essa benefício de contrapartida vai para uma empresa que via ser dono da companhia. Isso precisa ser discutido com todos os prefeitos — acrescentou o prefeito do Rio.
Marcelo Crivella ressaltou que a Constituição de 1988 atribuiu aos municípios a tarefa de decidir sobre as concessões de tratamento de água e esgotos. E sem citar nomes, Crivella criticou os políticos que deixaram o estado a chegar a uma situação financeira de dificuldades.
— Torcemos que o estado saia da crise que se enfiou pela má administração dos políticos que perderam o controle eo orçamento e dos gastos com prestadores de serviço porque estavam envolvidos em esquema de corrupção que nos envergonha e humilha. Que nos coloca numa situação muito triste no resto do Brasil. Que agora vem nos impor condições que não restaram lideres políticos que poderão discutir os assuntos. O Rio ainda tem políticos ficha limpa, não limpa que há de defende seus interesses, do seu povo — disse o prefeito



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