A Secretaria estadual de Saúde repudiou, na tarde desta quarta-feira, o fato de uma médica de plantão na UPA Cabuçu, em Nova Iguaçu, ter sido agredida, na madrugada de terça-feira, por um policial militar que tinha ido à unidade em busca de atendimento para três suspeitos baleados durante uma operação. Em nota, o órgão informou que “não houve omissão de socorro no episódio” e, segundo o relato da profissional de saúde, “os três óbitos já tinham sido constatados, sendo que um dos pacientes trazidos pelos policiais chegou a ser acolhido e levado para a sala vermelha da unidade”. Ainda de acordo com a profissional, os mortos seriam levados ao necrotério da UPA, após confirmação da coordenação médica de que havia capacidade para receber os corpos no local.
De acordo com a secretaria, “a profissional não poderia sofrer qualquer tipo de agressão por parte dos PMs”. Em nota divulgada na noite de terça-feira, a assessoria da Polícia Militar havia informado que os agentes tinham ido à UPA em busca de atendimento para os suspeitos baleados em uma operação realizada na comunidade Grão Pará, em Cabuçu, mas a médica teria recusado o recebimento, sugerindo que os pacientes fossem levados para o Hospital Geral de Nova Iguaçu. Ainda de acordo com a operação. a médica teria chamado um dos policiais envolvidos na ação de “animal”. O PM, que chegou a dar voz de prisão para a profissional, negou que tenha havido agressão.
Ainda segundo a secretaria, a confusão na UPA começou após os policiais terem recolhido o cadáver da sala vermelha e decidido levar os três homens para outra unidade de saúde, mesmo depois de a médica ter comunicado aos PMs que os três seriam acolhidos na UPA e encaminhados ao IML, seguindo os trâmites legais. De acordo com a nota, a Secretaria de Saúde “ressalta a importância da integração entre os profissionais da Saúde e da Segurança Pública, já que estão expostos no seu dia a dia ao estresse comum a ambas as profissões”.
Nesta quarta-feira, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) informou que abrirá sindicância para apurar a denúncia da médica que recebeu voz de prisão durante a discussão na UPA. Em nota, a entidade chamou de “descabida” a agressão sofrida pela médica.

