RIO — Até o fim deste mês, uma comissão da sociedade civil começará a acompanhar ações e interagir com as forças militares federais durante a operação “O Rio quer segurança e paz”. A ideia foi apresentada nesta quarta-feira pelo diretor-executivo da organização Viva Rio, Rubem César Fernandes, durante encontro no Rio com os ministros da Defesa, Raul Jungmann; da Justiça, Torquato Jardim; e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sergio Etchegoyen. Ao longo da próxima semana, a comissão será constituída e terá sua primeira reunião.
— Será uma comissão bem plural. Haverá pessoas do meio acadêmico, de organizações que trabalham com o tema da segurança, da Igreja e do empresariado. Ou seja, pessoas expressivas de diferentes setores da sociedade — explica Rubem César.
Segundo Rubem César, no atual momento, em que se vê o crescimento de “uma violência anárquica e sem limites”, o grupo entende que a presença dos militares das forças federais no Rio é bem-vinda:
— Ainda que excepcional, a presença dessas forças federais é necessária. Nem no nascimento do Viva Rio, no início dos anos 90, vimos uma situação tão ruim do ponto de vista de segurança e de crise de governabilidade. O momento é desafiador, de revigorar a segurança pública do estado. Não cabe à sociedade somente ficar aplaudindo ou vaiando. Ela tem de se manifestar.
O diretor-executivo do Viva Rio prefere não citar nomes daqueles que vão integrar a comissão, já que ela será formada na semana que vem. Embora as missões ainda tenham que ser discutidas, ele antecipa que o grupo vai acompanhar as ações militares e fazer sugestões, com independência:
— Não será uma comissão de governo, mas da sociedade. Poderá, por exemplo, acompanhar os eventos e registrar os seus resultados. Será uma fonte independente, tanto do ponto de vista quantitativo quanto qualitativo, que acompanhará as ações, mensurando e avaliando resultados. Claro, que não vamos participar de confrontos. Mas achamos que podemos agregar valor a esse processo.
Rubem César lembra ainda que o Viva Rio tem muita presença em comunidades, onde os conflitos acontecem. A organização poderá, diz ele, ouvir pessoas desses comunidades sobre a atuação das forças militares:
— Pode ser uma ouvidoria. Ver como lideranças comunitárias, igrejas, escolas, personagens das favelas, estão acompanhando esse processo.
O grupo deverá ainda criar um movimento de solidariedade às vítimas da violência. Rubem César diz que há muita mobilização de protesto, mas pouca ação solidária.
Os três ministros estiveram ainda com empresários do setor de turismo e o governador Luiz Fernando Pezão.



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