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Cigarro ilegal cai nas mãos do tráfico e da milícia

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RIO - No entorno da Central do Brasil, uma área dominada por traficantes do Morro da Providência, os ambulantes vendem cigarros contrabandeados em barracas improvisadas a poucos metros de uma delegacia e da sede da Secretaria de Segurança. No Recreio dos Bandeirantes, numa região controlada por milicianos, o produto trazido do Paraguai é comercializado em bares, restaurantes e depósitos de bebidas. O mercado ilegal de cigarros, que ano passado movimentou R$ 1 bilhão no estado, é o mais novo filão das quadrilhas, que já exploram o transporte alternativo, a venda de gás e a TV a cabo pirata.

Um levantamento feito pela indústria nacional do tabaco e pela Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) mostra a extensão do problema: tráfico e milícia já exploram a venda do produto em um terço dos 162 bairros da capital. Na Zona Norte, por exemplo, 34% dos estabelecimentos já vendem o cigarro ilegal. Na área Central, o percentual é de 20%. No Camorim, bairro da Zona Oeste, 89% vendem os produtos trazidos do Paraguai.

- O que está acontecendo com o Rio é muito preocupante. O crime organizado está sufocando o comércio legal. Em algumas regiões, eles criaram zonas de exclusão de cigarros legais, coagindo comerciantes a só venderem produtos contrabandeados sob pena de sofrerem represália. Uma atividade que está crescendo este ano como nunca se viu antes - afirmou Edson Vismona, presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial e representante do setor do tabaco.

Os números impressionam. Empresários do mercado formal dizem que cinco em cada dez maços vendidos no estado são produtos ilegais. Nos últimos três anos, o volume de vendas da indústria nacional do tabaco teve uma queda de 27% no Rio. Com essa perda, o estado viu descer pelo ralo R$ 401 milhões em impostos só no ano passado.

Apenas na cidade do Rio, cigarros do Paraguai podem ser comprados em 530 estabelecimentos legalizados, que têm alvará de funcionamento e CNPJ registrado na Receita Federal. O número passa 900 se forem incluídas as outras cidades da Região Metropolitana. Policiais da DRCPIM estão fazendo um mapa para apontar os bairros em que os comerciantes só vendem os produtos contrabandeados.

- Apenas este ano, nós já apreendemos cerca seis milhões de cigarros em operações contra o contrabando - afirmou o delegado Maurício Demétrio, que assumiu o comando da delegacia em março.

Demétrio explicou que, como a entrada da milícia e do tráfico no novo negócio, a polícia decidiu que vai intensificar as operações e enquadrar os comerciantes flagrados comercializando cigarros do Paraguai no crime de contrabando, que tem pena de dois a cinco anos de prisão.

- O comerciante que for flagrado será preso e enquadrado por contrabando. Além disso vamos encaminhar à prefeitura um pedido para que o alvará seja cassado. O mesmo será feito com relação ao CNPJ. Vamos pedir o cancelamento da inscrição à Receita Federal - explicou o delegado.

Na semana passada, um comerciante foi preso pela Polícia Civil no Recreio vendendo cigarros do Paraguai num depósito de bebidas. Segundo o delegado, os maços tinham estampadas inscrições em guarani, língua indígena do sul da América do Sul.

Também estava impresso um alerta: "Para venta exclusiva en el Paraguay". A polícia vai investigar se o comerciante foi obrigado a vender apenas o cigarro paraguaio da marca Gift por milicianos que atuam na região.

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