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RIO, 11 (AG) - Em meio ao burburinho de Copacabana, bem aos pés do Morro Pavão-Pavãozinho, o Templo do Cuidado Amoroso Eterno é um refúgio para quem busca serenidade e meditação. O espaço, onde impera o silêncio, recebe praticantes do budismo de toda a Zona Sul, inclusive da favela. Morador da comunidade, Ricardo Mendonça, de 40 anos, é responsável pela manutenção da casa, mas não está ali apenas pelo trabalho. Aos poucos, ele aprende os ensinamentos do budismo, que foi criado há 2.600 anos, na Índia, e vem conquistando cada vez mais adeptos no Rio.

- Os confrontos aqui são frequentes e me deixam inseguro. O budismo ajuda a enfrentar o medo e a seguir a vida normalmente. Consigo ter mais tranquilidade, observar a natureza e tentar fazer alguma coisa para melhorar o nosso meio - diz Mendonça.

O templo segue a corrente do zen-budismo. As atividades que acontecem por lá são gratuitas. À frente do centro desde 2001, Álcio Braz diz que a essência da prática é desenvolver o cuidado amoroso e o ativismo.

- Não nos preocupamos com discurso. Nós valorizamos o silêncio, a presença e o voluntariado, por isso oferecemos treinamento para quem quer visitar pacientes com doenças terminais, por exemplo - explica ele.

Ainda assim, as "motivações mundanas" são determinantes na busca pelo budismo. É o que diz Sálvio Guimarães, um dos diretores do Centro Nyingma de Budismo Tibetano, no Humaitá. A linha propõe o encontro do bem-estar e a cura de padrões que causam sofrimento por meio do trabalho de autoterapia. A procura pela prática, segundo ele, tem aumentado a cada ano:

- As pessoas vêm buscar refúgio, um momento de paz para se aliviarem das pressões malucas que estamos vivendo.

O estudo do método funciona como um "remédio", diz Sávio. Por mês, uma média de 200 pessoas circulam pelo templo, comparecendo a cerimônias, atividades extras e cursos que vão do nível introdutório ao avançado. Em junho, o Nyingma comemora 30 anos com uma exposição, visita guiada e o relançamento do livro "Caminhos para a iluminação - Estudos budistas no Instituto Nyingma". O evento será no próximo fim de semana no templo, que fica na Rua Casuarina, no Humaitá.

Frequentador do centro desde o seu início, o médico Emílio Myra y López diz que descobriu, com as aulas, que poderia sanar problemas físicos e emocionais ao mesmo tempo.

- O budismo tem uma concepção de compaixão. Todos os seres podem ter felicidade e eliminar as causas do sofrimento - acredita.

Em contraposição ao silêncio das correntes zen e tibetana, o Nichiren Daishonin segue uma proposta mais grandiosa. A sede central, no Méier, abriga salas para reuniões e um templo com capacidade para mil pessoas. A elocução sequencial do mantra chamado "Daimoku", segundo a crença, é o que faz os adeptos da prática se conectarem com o universo e desenvolverem seu potencial. A oração acontece, principalmente, em grupo, para que a reunião da fé ajude os praticantes a ultrapassarem suas barreiras.

No Rio, a vertente Nichiren está presente na Associação Brasil Soka Gakkai Internacional (ABSGI), que atrai cada vez mais integrantes. Em 2016, o crescimento foi de 20%, e o número de seguidores chegou a 16 mil apenas na capital fluminense. A instituição está presente em sete cidades do estado e há previsão de chegar a pelo menos mais três em 2018. Os adeptos se associam à organização e participam de palestras, estudos sobre os ensinamentos do budismo e atividades culturais e esportivas, além de serem responsáveis por angariar mais pessoas para a doutrina. Cada associado faz uma doação de no mínimo R$ 10 a cada três meses para ajudar a manter a Soka Gakkai.

- A grande procura acontece porque as pessoas querem ter esperanças neste mundo caótico. E essa propagação é fruto da transformação do budismo na vida das pessoas - diz Wallace Moura, coordenador da ABSGI.

Segundo os seguidores, é comum praticantes deixarem a dependência química e superarem depressão depois de entrar para o grupo. Um adepto que prefere não ser identificado afirma que abandonou as drogas após cinco meses intensos de prática.

- Comecei a orar e estudar os ensinamentos. A partir disso, cultivei uma força a ponto de conseguir lutar contra a dependência. Não segui nenhum tratamento. Me senti fortalecido, voltei a trabalhar e terminei a faculdade - relata ele, que hoje é advogado e professor de Direito numa universidade privada do Rio.

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