RIO - A Câmara do Rio pode ter uma CPI para investigar 46 contratos firmados sem licitação pela secretaria municipal de Educação nos anos de 2017 e 2018, com a justificativa de que se tratavam de situações de emergência. Outro alvo da investigação seriam os processos que fundamentavam 19 outros contratos que deixaram de ser assinados este ano pela pasta, com a mesma fundamentação, após veto da Secretaria da Casa Civil. A iniciativa de pedir a CPI partiu do vereador Rogério Rocal (PTB) que nesta quinta-feira conseguiu 25 assinaturas (oito a mais que o necessário) para formalizar um pedido de investigação. A criação da CPI ainda depende de uma avaliação do presidente da Câmara do Rio, Jorge Felippe (PMDB) se existem realmente fatos que justifiquem a investigação.
O pedido de CPI é um desdobramento da crise que surgiu na prefeitura com os desentendimentos entre os secretários de Educação, Cesar Benjamin; e da Casa Civil, Paulo Messina, tornado público na semana passada pelas redes sociais. Cesar acusou Messina de intervenções indevidas na gestão da secretaria de Educação. Chamado de “Napoleão de Hospício” pelo colega, Messina chegou a afirmar que a “secretaria de Educação está se tornando ingovernável”. A paz foi selada somente na quarta-feira à noite, depois que o prefeito Marcelo Crivella decidiu interferir.
O próprio Rogério Rocal também recebeu um apelido de Cesar Benjamin. No ano passado, os dois se desentenderam e o secretário chamou Rocal de “Eremildo, o Idiota”, numa referência a um personagem criado pelo jornalista Élio Gáspari. Rocal nega que a inciativa de propor a PI seja uma represália ao incidente. Ele disse que o principal motivo para estar preocupado com os rumos da pasta de Benjamin é o fato de presidir a Comissão de Educação:
— As denúncias de dispensas de licitação que e Messina divulgou em transmissão no Facebook (na quarta-feira) são extremamente graves. O próprio Tribunal de Contas do Município (TCM) já tem que questionado essa quantidade de contratos emergenciais. Há um fato determinado que precisa ser investigado — disse Rocal.
Em plenário, Rocal também criticou a forma com que o prefeito Marcelo Crivella tratou o episódio. Ele achou inusitada a divulgação pela assessoria do prefeito de uma espécie de carta na qual os secretários declararam o fim da briga.
— Parece até que o prefeito levou os dois para uma “Sala do Pensamento” para refletirem sob o episódio.O desfecho final foi o bilhete depois de pensarem por bastante tempo na frase “não devo brigar com o coleguinha”, disse Rocal.
Rocal disse que para evitar constrangimentos evitou recolher assinaturas entre os colegas do PRB, mesmo partido de Crivella. No entanto, contou que entre os que assinaram o pedido estão vereadores da base do governo, como Jones Moura (PSD), Ítalo Ciba (Avante), Val Ceasa (PEN) e Zico Bacana (PHS).

