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Calçadão de Ipanema tem buracos que põem em risco quem passeia por ali

RIO - No meio do caminho, havia uma pedra solta. Um pouco mais à frente, duas, três, quatro, dezenas. O mau estado de conservação do calçadão de pedras portuguesas da Praia de Ipanema transformou uma simples caminhada na orla numa espécie de pista de obstáculos, uma ameaça para os tornozelos dos mais distraídos. Nesta terça-feira, uma equipe do GLOBO percorreu o trecho do Arpoador ao Jardim de Alah e identificou 30 pontos com falhas. Em alguns lugares, faltam poucas pedras. Mas, em outros, como nas proximidades do Country Club, já há buracos maiores que estão até preenchidos por areia, provavelmente levada pelo vento.

— O calçadão, realmente, está com problemas. E também o resto do bairro. A conservação do Jardim de Alah está sofrível. No Parque Garota de Ipanema, há alguns dias, moradores de rua chegaram a tentar montar um barraco. A impressão é que a cidade anda meio largada. Se há problemas numa região como Ipanema, onde qualquer anormalidade chama mais a atenção, o que dirá no resto da cidade — disse Maria Amélia Loureiro, presidente da associação de moradores do bairro.

A psicóloga Ivanette de Oliveira Rangel, de 56 anos, contou que nas últimas semanas a mãe dela, que tem 75 anos, tem caminhado apenas pela ciclovia em vez de se arriscar em meio aos desníveis no calçadão:

— Às vezes, também vou pela ciclovia. Sou muito distraída e, quando caminho, esqueço dos problemas da vida. Prefiro desviar das bicicletas, do que pisar em falso e torcer ou quebrar o tornozelo — disse Ivanette.

A situação já esteve pior. Na semana passada, a movimentação de caminhões e outros veículos pesados usados na retirada da carcaça de uma baleia jubarte, que apareceu morta nas imediações do Posto 8, causou o deslocamento de parte das pedras. A prefeitura, no entanto, fez o reparo de emergência no trecho. A Secretaria municipal de Conservação e Meio Ambiente informou que seus técnicos fizeram há mais de uma semana inspeções para identificar os buracos no calçadão de Copacabana ao Leblon. Segundo o órgão, os consertos já começaram e devem ficar prontos até o fim da semana, caso não chova nos próximos dias.

A secretaria argumenta, porém, ter dificuldades técnicas para reparar calçadas feitas em pedras portuguesas devido à falta de mão de obra especializada, já que a colocação é feita de forma artesanal. Ao todo, a cidade tem 1,2 milhão de metros quadrados de piso com esse tipo de revestimento. Parte deles é tombada devido ao valor artístico e cultural. São os casos, por exemplo, dos desenhos em forma de ondas característicos do calçadão de Copacabana e das notas musicais do Boulevard Vinte e Oito de Setembro, em Vila Isabel.

A prefeitura negocia com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) um patrocínio para criar uma escola de calceteiros na cidade, onde um número maior de profissionais poderia ser treinado. Medida semelhante foi adotada pelo município duas vezes no passado, mas mesmo assim ainda falta mão de obra. Na última vez, em 2010, seis mestres calceteiros portugueses passaram uma temporada na cidade, quando treinaram 60 profissionais.

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