RIO — Durante cinco anos, a Secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap) pagou R$ 76 milhões para uma Organização Social de Interesse Público (Osip) oferecer o café da manhã e o lanche para presos, sem nota fiscal ou qualquer outro comprovante do serviço, conforme revelou ontem o “Jornal Nacional", da TV Globo. Segundo o Tribunal de Contas do Estado (TCE), o valor foi superfaturado. Apesar das altas quantias, ninguém sabe ou não quer apontar o verdadeiro dono da organização.
A Osip Iniciativa Primus serviu café preto e pão com manteiga aos cerca de 30 mil presidiários do Complexo de Gericinó, entre julho de 2010 e junho de 2015, mas nunca pagou pelo espaço nos presídios, nem pelos ingredientes, muito menos pela mão de obra dos presos.
No endereço que consta como sede da organização sem fins lucrativos, ninguém foi encontrado pela equipe do “Jornal Nacional".
— Não se encontram presentes no momento — disse uma atendente.
O advogado Bernard Caiuca, que assinou o primeiro contrato com a Seap, informou ao “Jornal Nacional" que saiu da sociedade e disse que quem estava à frente do negócio é o advogado Carlos Felipe de Paiva Nascimento, dono da Induspan, empresa que servia café da manhã e lanche para os presos antes da Iniciativa Primus.
A Induspan perdeu o contrato devido a irregularidades. Felipe de Paiva também é ligado à Alimentex, outra empresa que usou mão de obra de presos para fabricar embalagens de alumínio. Formalmente, no entanto, os donos desta empresa são o casal Wedson Gedeão de Farias e Maria do Carmo Nogueira de Farias. Por meio de uma procuração, entretanto, eles deram a Paiva o poder sobre tudo o que têm.
Donos moram em conjunto
O casal mora num conjunto habitacional em Cosmos, na Zona Oeste do Rio, e tudo indica que eles levam uma vida simples. Mas uma lancha avaliada em cerca de R$ 2 milhões também aparece em nome do casal. Wedson também é um dos sócios do Esch Café, uma famosa charutaria em São Paulo, onde o lanche mais simples é o café expresso e o pão com queijo. Por lá, ele nunca foi visto.
Wedson e Maria do Carmo não foram localizados. Ao “Jornal Nacional", a Seap informou que rompeu unilateralmente o contrato com a Iniciativa Primus. O ex-secretário de Administração Penitenciária César Rubens de Carvalho, que foi responsável pela primeira contratação da Osip no governo estadual, disse que exigiu a prestação de contas. O Esch Café não respondeu às perguntas sobre Wedson.




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