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Bióloga do Instituto Boto Cinza monitora baleia que encalhou na Baía de Sepetiba

RIO - Na tarde desta segunda-feira, a bióloga Kátia Silva, de 29 anos, já tinha perdido as contas de quantas horas permanecia no mar, no meio da Baía de Sepetiba, desde quinta-feira, quando uma baleia jubarte encalhou na região. Só sabia dizer que dormiu "pouquíssimo" nos últimos dias. Mesmo exausta, ela tentava nesta segunda-feira, a bordo de uma embarcação do Instituto Boto Cinza, encontrar o animal, avistado pela última vez no domingo, nadando. O coração estava apertado: apesar da possibilidade de a jubarte ter saído da baía e retomado sua rota migratória em direção ao Sul, ela não descartava a hipótese de a baleia ter morrido.

Uma jubarte foi achada sem vida nesta segunda-feira, por pescadores, na Ilha da Marambaia, mas não era o mesmo animal. Paulista, a bióloga - que em 2012 deixou Abrolhos, onde monitorou tartarugas marinhas, para trabalhar com o Instituto Boto Cinza na Baía de Sepetiba - vive desde quinta-feira a primeira experiência de lidar diretamente com um encalhe de baleia. Em Sepetiba, há pelo menos 15 anos não há registro desse tipo de ocorrência.

- Fisicamente, estou exausta. É uma situação de estresse muito grande, mas você tem que manter a calma para conseguir organizar o trabalho da melhor forma para as pessoas e para o animal. E ainda não terminei: estou no meio do monitoramento; espero que nossa ação para desencalhar a baleia tenha surtido efeito e que o animal encontre sua rota. Prefiro acreditar nisso - contava ela, enquanto fazia, com o apoio de duas embarcações, uma varredura na Baía de Sepetiba (uma área de 540 quilômetros quadrados).

O trabalho no mar seguiria até a noite. A saga da baleia começou nas primeiras horas de quinta-feira, quando o instituto foi acionado por pescadores. Até a jubarte desencalhar, no sábado, num local conhecido como Saco do Pompeba, uma força-tarefa, formada pela Marinha, pela Vale, pelo Corpo de Bombeiros e pelo Laboratório de Mamíferos Aquáticos da Uerj (Maqua), atuou no salvamento. Kátia, que praticamente não pisou em terra firme nesses dias, trabalhando de perto durante todo o processo, destaca o esforço dos pescadores. Dezenas de famílias se reuniram, num trabalho braçal, para, com ajuda de cordas, virar o corpo da jubarte, de 20 toneladas, que estava com a cabeça voltada para a praia.

- Vieram cerca de 50 pescadores da região com mulheres, filhos. Os homens ajudavam com a força, as mulheres cuidavam da equipe. A luta deles foi essencial. E estamos falando de pescadores artesanais que chegavam com o único cobertor de casa para cobrir a baleia e, assim, protegê-la do sol - diz Kátia, que faz mestrado em oceanografia e pesca na Universidade dos Açores, em Portugal, e mora em Guaratiba.

Nesta terça-feira, a saga da jubarte e também de Kátia continua: a bióloga marinha continuará as buscas, mas na torcida que ela esteja bem longe, nadando em direção às lhas Geórgia do Sul, na região subantártica.

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