No último ano, o bairro de Santa Teresa apresentou indicadores de roubos de rua e de estabelecimentos comerciais bastante piores que os da cidade do Rio de Janeiro e do estado como um todo. Mas a deterioração das condições de segurança não é tão recente assim.
O aumento nos registros de roubos certamente está ligado aos limites que o governo apresenta para garantir a segurança da população. Mas é mais do que isso. Apesar de o caso Amarildo, ocorrido na Rocinha em 2013, ter se tornado símbolo da deterioração das UPPs, a experiência desse mesmo projeto em Santa Teresa já apontava há muito para os limites do processo. Basta dizer que ainda em 2011, meses após a sua inauguração, uma UPP naquele bairro sofreu o primeiro ataque com feridos a uma Unidade de Polícia Pacificadora e teve o primeiro afastamento de um comandante de UPP por corrupção policial.
Nesse sentido, a experiência de Santa Teresa já trazia os primeiros traços da desmoralização de um projeto que se mostrou fadado a deslizar para uma iniciativa de militarização da vida cotidiana em espaços específicos da cidade. Infelizmente, ali, nos idos de 2011, já era possível perceber que o pêndulo da política de segurança — que alterna entre o predomínio de políticas repressivas sem resultados e lampejos de tentativas de democratização do modelo de policiamento — voltava a tender na direção da saturação policial.
E, como em outros momentos, o resultado era uma tragédia anunciada: o descontrole sobre a violência. Diante de um projeto de policiamento desmoralizado, as favelas do bairro de Santa Teresa, cobiçadas por facções do tráfico de drogas, voltaram a ser objetos de desejo possíveis, colocando a população à mercê não apenas de confrontos armados diários, como de atividades auxiliares à venda de drogas e armas.
*Maria Isabel Couto é pesquisadora do ISER (Instituto de Estudos da Religião)



