RIO - Depois de o prefeito Marcelo Crivella ter cortado pela metade a subvenção às escolas de samba do Grupo Especial, mais uma polêmica envolvendo a administração municipal tem agitado o mundo do carnaval. O presidente da União da Ilha, Ney Filardi, disse na página oficial da agremiação, numa rede social, que a prefeitura quer alterar o contrato com a Liga Independente de Escolas de Samba ( Liesa). Na mudança, a Riotur, segundo Filardi, passaria a ficar com as verbas de publicidade interna e externa do Sambódromo e também com parte dos ingressos de arquibancadas, frisas, cadeiras e camarotes.
Até então, toda a receita ficava com a Liesa e, depois, era repassada para as escolas de samba. De acordo com o presidente da União da Ilha, a prefeitura ganharia cerca de R$ 20 milhões com a mudança contratual. Como só dará R$ 13 milhões de subvenção para o desfile do ano que vem, ainda ficaria em caixa com R$ 7 milhões.
“Isto quer dizer o seguinte: A prefeitura ficaria com mais dinheiro do que daria para as escolas, o que é um absurdo”, postou Filardi.
O presidente da União da Ilha também mencionou o atraso no pagamento da subvenção a cada uma das 13 escolas do Grupo Especial. Cada uma deve receber R$ 1 milhão, em quatro parcelas de R$ 225 mil e uma de R$ 100 mil, que será honrada quando as agremiações prestarem contas. As primeiras parcelas, de julho e agosto, de acordo com ele, ainda não foram liberadas. A prefeitura alegou problemas burocráticos.
— Entendemos a situação financeira do município e do país, mas estamos sendo enganados. O prefeito cortou a verba, não pagou as cotas e ainda quer mudar o contrato. Ele faltou com a palavra e mais uma vez nos decepcionou. O tempo está passando, e carnaval não se faz em dois meses. Querem acabar com o carnaval — disse o presidente da União da Ilha.
A publicação de Filardi provocou reações. Chiquinho da Mangueira, presidente da verde e rosa, ficou indignado.
— Não sei aonde a prefeitura quer chegar. Dessa forma, a Mangueira não assina o contrato, e acredito que todas as escolas também não. Nós é que fazemos o espetáculo e a prefeitura quer ficar com parte dos ingressos? — indagou.
Procurada, a Liesa não se manifestou. A assessoria de imprensa da Riotur disse que o contrato com a Liga ainda está em discussão e informou que o órgão propôs que uma pequena parte dos ingressos fosse dividida com a prefeitura. Segundo a assessoria, o município tem despesas com o Sambódromo, mas não receita, e busca reduzir os gastos sem tirar nada da Liesa.
Apesar dos atrasos nos repasses, a festa não pode parar. Neste fim de semana, oito escolas do Grupo Especial vão começar a escolher seus sambas-enredo, em etapas eliminatórias ou finais. Seis competições acontecem neste sábado nas quadras de Império Serrano, Vila Isabel, Grande Rio, Mangueira, Salgueiro e União da Ilha. No domingo é a vez de Mocidade e Portela. O público poderá conferir os sambas sem gastar muito: há eventos gratuitos e outros com ingressos entre R$ 10 e R$ 20.




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