Início Rio de Janeiro Após acidentes, destaques ficam mais atentos à segurança
Rio de Janeiro

Após acidentes, destaques ficam mais atentos à segurança

RIO - Rodeados por pedrarias, plumas, penas e esplendores, os destaques das escolas de samba são, todos os anos, alçados às alturas. Neste carnaval, teve gente que cruzou a Sapucaí a 12 metros do chão, o equivalente a um prédio de quatro andares. Mas, com os acidentes na Unidos da Tijuca, na Paraíso do Tuiuti e na Mocidade, o tema segurança é que mereceu lugar de destaque no desfile das campeãs, que acontece neste sábado.

Diretor artístico de uma rede de salões de beleza e destaque do abre-alas do Salgueiro, Maurício Pina veio de São Paulo para se apresentar no Sambódromo. Segundo ele, a parte mais turbulenta do desfile é quando os carros passam pela curva para entrar na Sapucaí.

- Aquilo é um tormento para todas as escolas - diz Maurício, que também desfila no abre-alas da Mocidade Alegre e da Rosas de Ouro, em São Paulo, e completa 30 carnavais este ano. - Como já tenho experiência, fico muito atento. Danço, brinco, mas sempre mantenho uma das mãos segurando o Santo Antônio (ferro preso aos carros que serve de apoio), enquanto movimento a outra. Eu me previno. Mas, com esses acidentes, fico com ainda mais cautela, principalmente nas curvas.

Integrante da comissão de carnaval da Beija-Flor, Fran Sérgio desfilou este ano como destaque no abre-alas da escola, que homenageou Iracema. Vestido de Tupã, o deus indígena da natureza, com duas mil penas de faisão, ele atravessou a Sapucaí "voando", suspenso por dois cabos de aço:

- O barracão ajuda a concretizar as coisas que a gente sonha. Mas a gente sempre cuida muito bem dessa parte de segurança. Reforçamos tudo antes do carnaval. Sempre tivemos muito cuidado.

Conhecidos pelas fantasias ultraluxuosas, os destaques pagam caro para desfilar no topo de carros alegóricos. Suas roupas custam, em média, R$ 50 mil, mais que o valor de um carro zero popular. Muitos, no entanto, evitam revelar quanto gastam com a confecção. Durante as apresentações, contam com uma equipe de apoio, a postos para qualquer eventualidade. Os destaques costumam receber o desenho da fantasia das mãos do carnavalesco, quatro meses antes do carnaval, e, daí para a frente, têm que rebolar para montar toda a roupa.

Olegária dos Anjos, lendária sambista do Império Serrano, é considerada o primeiro destaque do carnaval carioca, por ter introduzido fantasias luxuosas, em 1948. A posição ganhou notoriedade em 1963, com Isabel Valença, no Salgueiro. Ela arrebatou a Avenida, fantasiada de Chica da Silva. No anos seguintes, figuras carimbadas de concursos, como Evandro Castro Lima e Clóvis Bornay, também passaram a desfilar na Sapucaí regados a muito luxo.

Com Joãosinho Trinta, na década de 1970, os destaques, que antes só desfilavam no chão, passaram a ficar em cima dos carros alegóricos. Desfilando pela Mangueira há 56 anos, Tânia Índio Brasil critica a falta de valorização por parte das escolas e diz que os destaques estão em extinção:

— Dá para reparar que os destaques estão acabando. Mulher, mesmo, tem pouca. Preferem sair no chão, porque são mais valorizadas, e ainda recebem patrocínio. Gasta-se muito, e nem sempre somos valorizados. Se acontecer algum acidente, não serei indenizada. As escolas precisam reforçar a segurança dos carros, sempre.

Siga-nos no

Google News

Receba o Boletim do Dia direto no seu e-mail, todo dia.

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!