Início Rio de Janeiro Ao longo de 16 anos, grupo recupera encosta do Pão de Açúcar
Rio de Janeiro

Ao longo de 16 anos, grupo recupera encosta do Pão de Açúcar

É um trabalho discreto, de formiguinha. Na face leste do Pão de Açúcar, a menos visível para os cariocas, uma pequena floresta foi plantada nos últimos 16 anos graças ao esforço de Sávio Teixeira e outros abnegados capitaneados por ele. A motivação foi simples. Mato-grossense-do-sul de nascimento, mas carioca por adoção e, sobretudo, apaixonado pelo Rio, Sávio achou que devia fazer algo para interromper os constantes incêndios daquele trecho precioso do cartão-postal da cidade.

— Toda aquela área era tomada por capim dourado, que queima muito rápido. Ver aquela devastação me incomodava. O lugar é lindo. Sou montanhista, gosto de fazer trilhas. A primeira vez que fui ao Pão de Açúcar fiquei deslumbrado.

Tamanho deslumbramento provocou em Sávio a vontade de retribuir com trabalho. Foi uma forma de agradecer à natureza tanta beleza. Reclamar não faz seu estilo. Preferiu pegar na enxada, capinar debaixo de sol e aos poucos ir mudando a face daqueles 2,5 hectares de terra.

— Achei que tinha que fazer alguma coisa. A cidade é nossa. É de todo mundo que vive aqui. Não dá para ficar parado vendo nosso patrimônio ser destruído.

Funcionário concursado do Banco do Brasil, ele criou em 2002 o Projeto Pão de Açúcar Verde. A cada mês reúne pelo menos 30 voluntários, entre os 1.500 que cadastrou, e sobe o morro para limpar a terra e plantar na área que só é visível do mar ou das praias oceânicas de Niterói. Já foram plantadas 6 mil mudas de espécies da Mata Atlântica. As dezenas de pés de ipê amarelo, pau-brasil e palmeira de baba de boi, entre outras, formam, como Sávio define, uma “florestazinha”. Oficialmente, diante da prefeitura, Sávio é o “adotante” da área. A prefeitura fornece as mudas e Sávio e sua turma de voluntários fazem o resto. De vez em quando, tem que usar seu próprio dinheiro para bancar os custos extras. Aos 55 anos, ele já começa a sentir o peso do trabalho. Mas ainda resiste a abandonar a enxada.

O grupo costuma incluir turistas, sobretudo americanos, europeus e australianos.

— Eles têm a cultura de voluntariado e quando chegam ao Brasil não querem só fazer turismo. Querem contribuir com a causa ambiental — diz Sávio.

Desde que começou a subir o morro com os voluntários só houve um incêndio no trecho. Acabar com as queimadas já seria um grande ganho. Mas o projeto conseguiu muito mais.

— Não é só uma questão de arrancar capim e replantar mata atlântica. Mais árvores atraem mais pássaros, a terra fica mais adubada. É mais vida para um lugar lindo por natureza.

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