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Análise: uma ‘tempestade’ perfeita na meteorologia

RIO - Com trocadilho, para prever tempestades, tempo é fundamental. Em minutos, o cenário se transforma com a radicalidade que separa um arco-íris do granizo. Uma coisa é saber que pode chover forte na sua cidade no dia seguinte. Outra é ser informado que em uma hora o céu desabará sobre o bairro onde está. O que pode indicar isso com razoável margem de acerto é a chamada previsão imediata. Comum em países como os EUA, a previsão imediata está disponível em São Paulo, que desde outubro conta com o aplicativo gratuito SOS Chuva (Inpe, USP e Esalq).

A previsão imediata é o que o carioca precisa para atravessar em segurança as chuvas de verão ou de qualquer outra estação. Ela pode oferecer precisão de cerca de um quilômetro para prognósticos de 30 minutos a seis horas de antecedência. A diferença entre a segurança e o caos. Não se trata de luxo, mas de necessidade num estado sujeito a grandes tempestades, populoso e com muita gente que mora e trabalha em áreas de risco.

Mas, no Rio, a tempestade perfeita de crises nas esferas federal, estadual e municipal afogou os planos de ampliar e aperfeiçoar os serviços meteorológicos, lamenta gente experiente como Maria Gertrudes Justi, diretora do núcleo regional da Sociedade Brasileira Meteorologia e há 40 anos estudiosa do clima. Nos faltam um radar específico (de dupla polarização), mais profissionais e pesquisas sobre o clima local. Todos esses fatores são conhecidos. Faltam recursos para isso.

As tempestades típicas do verão carioca têm vida curta e caótica. As grandes nuvens de chuva, as cumulonimbus, nascem e morrem em cerca de uma hora. Dentro delas, vento, vapor, cristais de gelo, descargas elétricas e gotículas d’água interagem em velocidade frenética. Em 300 quilômetros — aproximadamente a cobertura dos radares que dispomos — podem haver de dez a 15 dessas nuvens. Por isso, a captação dos dados, sua interpretação (radares só nos dão números que precisam ser interpretados) e difusão têm que ser precisos. E rápidos. Especialista em tempestades, Ernani Nascimento, da Universidade Federal de Santa Maria, diz que prever tempestades é correr contra o tempo. E o Rio está atrasado.

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