RIO — “Um amigo não precisa estar com a gente o tempo todo, porque amor de amigo vence a distância”. A declaração foi postada pelo corretor de imóveis e comerciante Marcelo Viera França, de 38 anos, em seu perfil do Facebook pouco antes das 23h da última quarta-feira. O texto foi feito em homenagem a Haylton Gomes Escafura, de 37 anos, encontrado morto, horas antes, num quarto de hotel na Barra da Tijuca. Três horas após a postagem, Marcelo foi executado com dois tiros em frente ao “Boteco do França”, bar de sua propriedade na Rua Rocha Pita, no Cachambi, na Zona Norte da cidade.
A Polícia Civil investiga um elo entre os dois assassinatos e a disputa entre quadrilhas que exploram o jogo do bicho e máquinas caça-níquel. Marcelo França foi atingido, já caído no chão, por dois tiros na cabeça. Testemunhas relataram a PMs que os autores foram dois homens que chegaram ao local num carro roubado. De acordo com vizinhos do bar, as últimas palavras de Marcelo antes de ser atingido foram: “Perdi, sei que perdi”.
— Não foi assalto. Foi uma execução. Nada foi levado. O bar estava fechando. Os assassinos vieram para matar o Marcelo — disse uma testemunha.
Agentes da Divisão de Homicídios (DH), que investiga os dois crimes, apuram se França tinha alguma participação nas atividades ilegais de Escafura. Moradores da região disseram que a falta de movimento no bar sempre foi motivo de desconfiança.
— O bar é enorme. Foi aberto no meio da crise, em março, e vive vazio. Os moradores acham muito esquisito. Não sabemos o que o dono fazia antes de abrir o bar — disse um vizinho.
A principal linha de investigação da DH sobre a morte de Escafura é um racha na quadrilha chefiada pelo pai da vítima, José Caruzzo Escafura, o Piruinha. Agentes da especializada já têm a informação de que um membro do grupo que arrendava áreas de Haylton na Zona Norte rompeu com o chefe após a prisão de diversos integrantes da quadrilha, na operação Black Ops, da Polícia Federal, em 2011. Após deixar a prisão, há cinco meses, Haylton, estaria retomando o controle desses locais, o que teria desagradado os antigos cúmplices.
Junto com Haylton, foi morta a policial militar Franciene de Souza, de 27 anos, lotada na UPP Rocinha. Os dois estavam no Hotel Transamérica e foram executados com tiros de fuzil e pistola. A polícia já sabe que os autores entraram pela garagem, subiram as escadas, arrombaram a porta do apartamento e dispararam mais de 20 vezes.



