RIO — Um dos primeiros setores a manifestar apoio à intervenção federal na segurança do estado, os empresários do ramo hoteleiro querem que as forças armadas ocupem os principais pontos turísticos da cidade. Na tarde desta quarta-feira, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado do Rio de Janeiro (ABIH-RJ), Alfredo Lopes, terá um encontro com o general Mauro Sinott para ouvir quais são os planos das forças de intervenção para aumentar a sensação de segurança entre os visitantes da cidade maravilhosa.
— Quando foi dada a notícia da intervenção na segurança do estado, os hotéis foram os primeiros a apoiar a ação, colocando bandeiras do Brasil nas fachadas. Ficamos aguardando este período de maturação do processo de intervenção para pedir uma audiência com o general. Passou um tempo e queremos saber como eles pretendem agir. Temos muita demanda de clientes nacionais e internacionais, que nos perguntam como vai ser daqui para frente — explica Alfredo Lopes.
Na avaliação do presidente da ABIH-RJ, a exemplo de cidades da Europa, o Rio de Janeiro poderia ter homens do Exército posicionados junto aos principais pontos de visitação, como a orla de Copacabana e o entorno do Corcovado, por exemplo.
—Em Paris, Londres e Barcelona, o turista vê militares patrulhando por questões de segurança. Lá, eles atuam por causa da ameaça do terrorismo. Sabemos que na orla, por exemplo, a maioria dos casos de violência são de pequenos delitos, então a presença das Forças Armadas inibiria isso, além de dar sensação de segurança. Vai melhorar a percepção de segurança — diz Alfredo, que também reclama da falta da desordem urbana na orla.
Segundo Alfredo Lopes, o momento será de ouvir quais são os planos de ação:
— Queremos saber quais os planos deles para ajudar o turismo na cidade. Quando o turista chega, ele vem tenso, com medo, e pergunta na recepção do hotel como deve agir, onde deve ir e o que deve evitar. Fizemos pesquisas e vimos que, na hora de ir embora, 80% dos que visitaram o Rio exaltam as belezas da cidade, reclamam do lixo e da desordem urbana, mas dizem que indicariam a cidade. Não reclamam da insegurança. Por isso, concluímos que a percepção do turista é muito pior que a realidade — analisa Alfredo, acrescentando que os hotéis estão preocupados com próximos meses.
De acordo com a ABIH-RJ, no primeiro trimestre de 2017, os hotéis tiveram ocupação média de 58,66%; no primeiro trimestre de 2018, a média foi de 59,33%.
— Tivemos um crescimento de 1%. Mas o que nos preocupa são os meses de julho e agosto, que temos baixa ocupação e trabalhamos com congressos e eventos. Já tivemos cancelamentos por conta desta falta de definição, porque se fizer sol na Semana Santa e ocorrer um arrastão na orla, os efeitos serão sentidos — diz.



Aviso