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Abandono da fronteira pela União impacta no crime organizado no Rio

RIO - Depois do Rio, que reclamou de falta de apoio do governo federal no combate ao crime organizado, o advogado José Carlos Barbosa, secretário de Segurança de Mato Grosso do Sul, engrossou o coro das críticas à União. Deputado estadual pelo PSB e professor universitário de Direito licenciado, ele revelou na tarde desta quinta-feira que o Ministério da Justiça abandonou a fronteira do pais e que a guerra do narcotráfico na fronteira está se refletindo no aumento da violência do Rio. Barbosinha, como é conhecido, afirmou que o Plano Nacional de Segurança que foi apresentado pelo governo federal para combater o narcotráfico, não foi posto em prática: "E mesmo assim, é um emaranhado de sugestões sem nenhuma organização prática".

As críticas foram feitas num momento de tensão nas relações do governo do Rio com o governo federal, depois de o ministro da Justiça, Torquato Jardim, acusar autoridades de segurança pública do estado de conivência com o crime organizado. Mato Grosso do Sul tem 1.517 quilômetros de fronteira, um terço dela seca. O estado faz divisa com o Paraguai e a Bolívia, produtores de maconha, cocaína e por onde a polícia acredita que entrem armas e munição que alimentam o poder bélico dos traficantes do Rio.

— Hoje há uma disputa violenta pela produção e distribuição de drogas na fronteira do Brasil com o Paraguai. O narcotráfico percebeu o lógico: se ele tem a distribuição porque não ter também o controle da produção. O mais impressionante é que não houve nenhuma mudança de postura do governo federal com relação ao caso. Pelo contrário, ele tem reduzido os efetivos das polícias federal e rodoviária federal na região — afirmou o secretário.

Segundo o secretário de Mato Grosso do Sul, a política do governo federal na fronteira do país não é inteligente.

— Não há como você combater o crime organizado no país sem uma ofensiva forte nas fronteiras do Brasil. E minha percepção é de um completo abandono das nossas fronteiras. O Paraguai é o maior exportador de maconha para o Brasil. A Bolívia contribuiu com a produção de cocaína que é consumida no país. Ao longo dessa fronteira, o efetivo das forças federais é quase inexistente. Hoje, por exemplo, não há efetivo suficiente da Polícia Rodoviária Federal nas rodovias federais de Mato Grosso do Sul. Você não é parado em nenhuma barreira. O governo federal está provocando o sucateamento da Polícia Rodoviária Federal — afirmou.

Para José Carlos Barbosa, o assunto precisa de urgentemente discutido no país. Ele disse que "as armas, munição e droga entraram pela fronteira para alimentar o crime organizado no Rio de Janeiro".

— Há uma conexão profunda no que está acontecendo hoje na fronteira com o que está ocorrendo no Rio de Janeiro. Há um descaso completo da União no combate ao crime organizado. E vou fazer um alerta: "O que está ocorrendo no Rio hoje, no meu entender, é o cenário do que vai se transformar os outros estados da Federação se nenhuma medida for tomada pelo governo federal — garantiu o secretário.

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