O empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, admitiu em depoimento à Polícia Federal ter bancado um serviço de concierge para um servidor de alto escalão do Banco Central durante uma viagem de férias em família aos parques da Disney e da Universal, em Orlando, no início de 2024. Questionado pelos investigadores sobre a natureza do benefício, o banqueiro classificou a cortesia como um agrado e afirmou que se tratava de um serviço que costumava oferecer a muitas pessoas do seu círculo.
O beneficiário citado é Paulo Sérgio Neves de Souza, que atuava como chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária da autoridade monetária e já havia ocupado a diretoria de Fiscalização da instituição. O serviço teria sido prestado por uma consultoria ligada ao empresário, responsável por organizar a estada da família nos Estados Unidos. Neves foi afastado das funções no Banco Central por decisão judicial, sob suspeita de receber vantagens indevidas.
Para a Polícia Federal, o episódio não se resume a uma gentileza pontual. As apurações apontam que o servidor teria atuado como consultor informal do banqueiro em assuntos de interesse do Banco Master, com indícios de pagamentos mensais dissimulados por meio de estruturas de consultoria. A tese é contestada pela defesa do empresário, que sustenta não ter havido contrapartida em decisões regulatórias.
Vorcaro está preso preventivamente em Brasília no âmbito da operação que investiga o esquema envolvendo o banco. O depoimento, prestado no fim de agosto, integra o conjunto de provas reunidas pelos investigadores e deve ser analisado pelo Ministério Público antes do oferecimento de eventual denúncia.



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