O perito Leandro Lima, primeira testemunha ouvida pelo conselho, foi contratado pela defesa de Gabriel Monteiro para periciar o vídeo em que ele beija o pescoço de uma menor de idade, faz cócegas e acaricia a criança de 10 anos de idade. De acordo com os vereadores, Murmura apresentou a análise de um vídeo diferente do que foi anexado ao processo no Conselho de Ética, o que, em tese, invalidaria o laudo apresentado.
Presidente do conselho, o vereador Alexandre Isquierdo (União Brasil) disse que o vídeo apresentado pela defesa de Gabriel Monteiro não tem valor jurídico. "Como foi requerido pela defesa a presença do perito e a análise feita pelo psicólogo, fizemos a oitiva para assegurar a ampla defesa. Embora a cena seja muito semelhante àquela em que o vereador leva a menina no salão de cabeleireiro, não era efetivamente o vídeo que consta nos autos. Por isso, para além da formação da opinião dos membros do conselho, não terá utilidade", disse.
Já o advogado do vereador diz que os vídeos periciados contêm o mesmo cenário, as mesmas pessoas e relata a mesma situação em investigação no conselho: "Os depoimentos foram ricos em detalhes, deixando claro que aqueles depoimentos das testemunhas arroladas pelos membros da comissão não passaram de meras falácias e conjecturas. Quando o parlamentar o perito nós ainda não tínhamos tido acesso ao vídeo consignado no processo. Todavia, o vídeo é o mesmo. Não estamos falando aqui de cenários diferentes", diz.
A segunda testemunha foi o policial militar Bruno Assumpção, que trabalha na escolta do vereador. De acordo com a vereadora Teresa Bergher (Cidadania), o depoimento pouco acrescentou: "Pra mim, o depoimento pouco ou nada acrescentou. Ela tentou descaracterizar o depoimento da Luiza (uma das testemunhas que acusou Gabriel de assédio), apenas isso".
Prorrogação do processo
O Conselho de Ética deve prorrogar o prazo para concluir o processo por quebra de decoro contra Monteiro. Segundo o relator do processo, o vereador Chico Alencar (PSOL), o prazo para a entrega do relatório terminaria na próxima semana, no entanto, os depoimentos precisaram ser adiados, o que comprometeu o calendário do processo. Segundo Alencar, caso o pedido de novo prazo seja aprovado, o processo deve terminar no início de agosto.
Pedido de blindados
Os integrantes do conselho voltaram a relatar que estão recebendo ameaças nas redes sociais de seguidores do vereador Gabriel Monteiro. De acordo com Chico Alencar, parte das mensagens são xingamentos e ofensas contra os parlamentares, mas há também ameaças físicas.
Cinco dos sete vereadores pediram à direção da Casa que lhes providencie carros blindados. Eles também já solicitaram uma varredura em seus gabinetes e telefones celulares. Suspeitam que são alvos de escutas clandestinas. Os parlamentares afirmam se sentir ameaçados e intimidados por seguidores do parlamentar. As pressões chegam pelas redes sociais. Eles anunciaram que vão denunciar as ameaças à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI).
Outro motivo de receio é que um ex-assessor de Monteiro, Vinicius Hayden Witeze, de 33 anos, morreu vítima de uma capotagem na noite de sábado, 28. O carro que ele dirigia virou em uma curva, em uma estrada na Região Serrana fluminense. Três dias antes, Witeze prestou depoimento ao Conselho de Ética fazendo acusações ao vereador. A investigação policial não encontrou indícios de que o incidente tenha sido provocado, mas essa hipótese ainda não foi oficialmente descartada.


