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PF rejeita proposta de delação premiada de Vorcaro

Reuters

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA, 21 Mai (Reuters) - A Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master e que está preso preventivamente desde o início de março, afirmou uma fonte da PF com conhecimento das tratativas.

A informação foi revelada inicialmente pelo portal de notícias G1 na noite de quarta-feira, e confirmada pela Reuters com uma fonte.

Procurada, a defesa de Vorcaro não respondeu de imediato a pedido de comentário.

O banqueiro ainda poderá buscar um acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República (PGR), uma vez que a instituição ainda não se manifestou sobre a proposta de colaboração.

Também nada impede Vorcaro de reapresentar o pedido de acordo de colaboração com a PF, em novos termos.

O banqueiro havia sido transferido no dia 19 de março de uma penitenciária federal para a Superintendência da Polícia Federal ‌em Brasília na tentativa de avançar nas discussões para a formatação de um acordo de delação.

A defesa de Vorcaro, a PGR e a PF haviam assinado, conforme fontes ouvidas pela Reuters na ocasião, um acordo de confidencialidade, pontapé inicial para uma eventual colaboração premiada. Desde então, Vorcaro e defensores elaboraram propostas de anexo da colaboração com fatos criminosos que pretenderiam revelar.

Contudo, segundo uma fonte, a avaliação dos investigadores da PF é que o banqueiro não teria trazido elementos novos para a apuração que justificariam firmar uma delação e que lhe pudesse garantir benefícios legais, como eventual redução da pena.

Outra percepção dos investigadores ao longo dos meses, segundo fontes a par das tratativas, é que a proposta de delação estaria sendo seletiva e omitindo fatos, acrescentou a fonte.

Mesmo em meio às tratativas para tentar firmar uma delação com Vorcaro, a PF avançou de forma independente nas investigações com base em elementos colhidos a partir de celulares e buscas e apreensões apreendidos, além de quebras de sigilo, levando a operações que tiveram como alvos, por exemplo, o senador Ciro Nogueira (PI) e o pai do banqueiro, Henrique Vorcaro.

A relação de Vorcaro com o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que admitiu ter pedido ao banqueiro uma ajuda milionária para custear um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, também não constava dos anexos da proposta de delação, segundo a fonte.

O ministro André Mendonça, relator das investigações do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), já tinha mandado sinais de que não aceitaria qualquer delação que fosse seletiva e também que não houvesse a previsão de um robusto ressarcimento de recursos de Vorcaro, disse uma fonte do tribunal com conhecimento das tratativas.

No início da semana, Vorcaro foi transferido para uma cela comum na própria PF de Brasília após o fim da preparação com seus advogados dos anexos da delação -- agora formalmente rejeitados.

Vorcaro foi preso preventivamente no início de março em uma das fases da operação Compliance Zero, que investiga crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ele já havia sido preso inicialmente em novembro do ano passado.

Diante da vastidão das relações que construiu nos últimos anos, a eventual delação de Vorcaro era vista com apreensão por autoridades dos Três Poderes. A preocupação também é grande em razão do ano eleitoral.

(Reportagem de Ricardo Brito; edição de Pedro Fonseca)

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