BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em sua terceira campanha ao comando da Câmara dos Deputados, o deputado federal Fábio Ramalho (MDB-MG) afirma que, novamente, não abrirá mão de sua candidatura e que o embate entre Jair Bolsonaro (sem partido) e Rodrigo Maia (DEM-RJ) não tem sido saudável para o país. Conhecido como "deputado da leitoa", em referência aos banquetes que promove com políticos e empresários, o candidato avulso defende a prorrogação do auxílio emergencial neste ano e diz que o momento não é de se discutir impeachment, mas de garantir que o povo seja vacinado. "A gente vai manter teto de gastos e os brasileiros vão morrer? Primeiro, a gente salva o povo brasileiro", ressalta. Ele disputa contra Baleia Rossi (MDB-SP) e Arthur Lira (PP-AL), considerados com bem mais chances de vencer a eleição de 1º de fevereiro. PERGUNTA - O senhor já disputou duas vezes e não ganhou. Por que tentar de novo? FÁBIO RAMALHO - Porque penso que aquela Casa tem de mudar. E vejo que o Parlamento é injusto com a maioria dos parlamentares. A gente sempre é discriminado como baixo e alto cleros. Temos que acabar com isso, ser um clero só. Os outros candidatos não teriam capacidade de unificar a Câmara? FR - A maneira como eles trabalham é diferente. Nos partidos, sempre tem duas ou três pessoas que são relatores e presidentes de comissões não permanentes. Tem de haver uma melhor distribuição. Uma pessoa não pode ser relatora mais de uma vez em uma mesma legislatura. O senhor manterá a candidatura? FR - Claro, quem me conhece sabe que eu não volto atrás. Os outros candidatos pediram ao senhor para abrir mão? FR - Baleia e Arthur conversaram comigo. A gente teve uma conversa boa, mas todos sabem que eu não retiro. Caso não passe para o segundo turno, como das outras vezes, quem apoiaria: Baleia ou Lira? FR - Eu estarei no segundo turno. O presidente da Câmara não está acima de ninguém. Ele é um deputado como todos os outros. Hoje, a maioria dos deputados não participa da maioria das decisões. O senhor se considera um azarão? FR - Não. Me considero uma pessoa que vem na vida para vencer. Quantos votos acredita ter hoje? FR - Eu vou ter mais de 190 votos no primeiro turno. Tenho certeza do que estou falando. Mas na eleição passada o senhor teve 66 votos. FR - Essa eleição é diferente. Nas outras, tinha uma eleição decidida. Na Câmara, não aceitamos um voto de cabresto. Temos de ter liberdade de escolha. O senhor se refere a quem? FR - A presidentes de partidos e interferências externas de governadores e do presidente. Bolsonaro tem interferido? FR - Ele tem feito o trabalho como presidente da República. E talvez essa briga dele com Rodrigo [Maia] não é boa para o Brasil. A Casa precisa, neste momento, de harmonia, conversa e diálogo. O senhor concorda com as críticas recentes de Maia a Bolsonaro? FR - A hora é de conversar, não é de brigar. Essas críticas não são construtivas. Eu sempre disse a Rodrigo e a Bolsonaro quando estive com eles: "Vocês têm de conversar e almoçar mais. Têm de se inteirar e procurar se entender". A gestão da pandemia pelo Ministério da Saúde foi falha? FR - Não tem de brigar ou criticar. O povo necessita da vacina e precisamos ter união e harmonia para vacinar os brasileiros. Não podemos aumentar esse sofrimento. Não é um desserviço o presidente colocar em xeque a efetividade da vacina? FR - Nós temos de convencê-lo a tomar. Isso com jeito e com conversa. Eu já falei com ele sobre vacina e ele escutou. Ele não falou que ia tomar, mas vamos convencê-lo de que a vacina é necessária. Se eleito, analisará os pedidos de impeachment contra o presidente? FR - Não é o momento de se tratar de impeachment. O Brasil tem uma pauta muito maior. Primeiro, vacinar o povo brasileiro. Depois, procurar um auxílio emergencial, que é urgente para as pessoas que começarão a passar fome. O senhor defende que o auxílio emergencial seja estendido? FR - Sou, mas temos de fazer uma melhor distribuição para as pessoas que necessitam dele. E ele tem de ser direcionado para a alimentação. Lira tem afirmado que é preciso respeitar o teto de gastos. FR - Em pandemia, não existe teto de gastos. No mundo inteiro não tem. É um momento excepcional. A gente vai manter teto de gastos, e os brasileiros vão morrer? Primeiro, a gente salva o povo brasileiro. O senhor se arrepende de ter votado pelo impeachment de Dilma Rousseff? FR - Me arrependo. Foi um erro, porque a gente construiu uma ruptura democrática no país. A votação para presidente da Câmara deve ser presencial ou eletrônica? FR - Eu acho que não se pode quebrar isso [eleição presencial]. O presidente Rodrigo não pode levar uma polêmica dessa. As eleições na Câmara sempre foram presenciais e secretas. O senhor pautaria, caso eleito, proposta que institui novamente o voto impresso? FR - Nós temos um sistema hoje que é um dos melhores do mundo. Eu já fui eleito seis vezes nesse sistema. Não vejo por que mudá-lo. O presidente foi eleito nesse sistema. Eu não vejo falha no sistema. Bolsonaro errou ao não ter condenado a invasão ao Capitólio por apoiadores do presidente Trump? FR - Totalmente. O Parlamento é a casa do povo e tem de ser protegido.



