SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O candidato do PSOL, Guilherme Boulos, afirmou que o MTST não pode ser responsabilizado pelos congestionamentos em São Paulo, mas defendeu as ações do movimento sem-teto de trancar vias em protestos por moradias. "Em relação às manifestações, elas acabam acontecendo nesses termos, aconteceram várias vezes, porque não tinha diálogo. Porque o Poder Público não abria as portas para a escuta", afirmou ele no programa Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira (23). "Comigo isso não vai ser um problema. (...) Muito dificilmente você vai ter manifestações conflagradas no nosso governo", completou ao prometer diálogo com os movimentos sociais. Boulos comentou ainda os atos de protesto com depredação no Carrefour, após um homem negro ser morto por espancamento por seguranças do supermercado. Tanto ele como o prefeito Bruno Covas (PSDB), também entrevistado, se comprometeram com medias antirracistas em São Paulo. "Quando houve os protestos do movimento negro, em alguns lugares houve uma quebra de prateleiras, algum dano a fachada a lojas do Carrefour. Não tem comparação possível, entre o ato que motivou a indignação das pessoas e o resultado da indignação das pessoas, muito embora todos reprovemos essas formas de violência", disse Boulos. Boulos foi questionado pelos jornalistas sobre como terá governabilidade em sua gestão se tem minoria na Câmara e diz não aceitar loteamento de cargos. O candidato afirmou que o PSOL não governará sozinho, mas que não topa "toma lá, da cá". "Eu vou construir uma relação institucional, de diálogo", disse Boulos em relação à Câmara, sem garantir como suas medidas serão implementadas. O candidato do PSOL repetiu uma série de frases feitas que tem usado durante a campanha, como a de que sua candidatura resgatou a forma de fazer política com sonho e esperança. Foi rebatido por Covas, que afirmou ter experiência e realizações em São Paulo e não só um discurso bonito. O prefeito acusou ainda Boulos de espalhar fake news ao afirmar que a gestão tucana está escondendo uma segunda onda da pandemia da Covid-19 na cidade. Ao final, Covas afirmou que Boulos está "preso ao radicalismo ideológico".



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