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Meu adversário flerta com a negação da pandemia, diz Manuela, no 2º turno em Porto Alegre

PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - Candidata a vice-presidente na chapa de Fernando Haddad (PT) em 2018, Manuela d'Ávila (PC do B) tenta ser prefeita de Porto Alegre. Seu vice, o petista Miguel Rossetto, é ex-ministro dos governos Lula e Dilma. Manuela ficou em segundo lugar no primeiro turno, com 187.262 votos. O ex-vice-prefeito Sebastião Melo (MDB) teve 200.280 votos. As pesquisas, incluindo o Ibope da véspera, indicavam uma ampla vantagem à Manuela. Para ela, a desistência de José Fortunati (PTB) e as fake news contribuíram para a diferença de resultado. A Justiça Eleitoral determinou a retirada de mais de meio milhão de compartilhamentos de boatos contra a candidata em redes sociais. * Pergunta - O que a morte de Beto Freitas, espancado no Carrefour, representa para a senhora? Manuela d'Ávila - É a manifestação violenta e visível do que é o racismo que estrutura as relações sociais e econômicas no nosso país. Nosso programa, registrado no TRE [Tribunal Regional Eleitoral], já apresenta algumas alternativas para enfrentar o racismo, como a capacitação dos servidores públicos. Sabemos, porque debatemos na elaboração do programa, que para enfrentar o racismo na cidade, precisamos também de medidas que enfrentem a desigualdade. Quando falamos de violência contra a mulher, sabemos que a violência é crescente entre as mulheres negras. Quando falamos em internet para as crianças da rede municipal, falamos de todas, mas sabemos quem são as crianças da rede. Reconhecemos a existência do racismo como estruturador das desigualdades no nosso país. As pesquisas indicavam a senhora como vencedora no primeiro turno, inclusive a pesquisa da véspera da votação, com ampla vantagem. Como a senhora interpreta o resultado diferente? O que ocorreu? MD - As pesquisas da véspera de eleição não conseguem várias coisas, como o impacto do Fortunati, tirado da eleição no tapetão, [ele desistiu da candidatura após indeferimento do seu vice] e as mentiras e boatos da véspera. Na sexta-feira (13) e no sábado (14), Porto Alegre foi tomada por muita mentira. Foi um primeiro turno marcado por boatos. A abstenção também é um elemento que surpreendeu a todos. A abstenção foi a grande campeã, que sozinha teve quase a mesma quantidade de votos que eu e o meu adversário. O primeiro turno foi muito rebaixado, com muita agressão e pouquíssimo debate sobre propostas. A gente tentava, mas a baixaria imperava. Durante o primeiro turno, a Justiça Eleitoral determinou a retirada de meio milhão de compartilhamentos de boatos contra a sua candidatura. A senhora acredita que esse conteúdo, mesmo falso, tira seus possíveis votos? MD - Na eleição presidencial teve uma noite que retiramos 13 milhões de postagens falsas. Tem impacto nas pessoas que acreditam e na abstenção. Embora o segundo turno, até agora, ter um alto nível de debates, meus principais detratores, como chamamos quem se engaja em divulgar notícias falsas, são os perfis que apoiam o adversário. De que lado está o deputado Bibo Nunes (PSL-RS) e suas agressões, baseadas em notícias fraudulentas? A quem Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) declarou guerra? A mim, em apoio ao meu adversário. A senhora está sendo apoiada oficialmente por PSOL e PDT, que tinham candidatas no primeiro turno. Marina Silva, Ciro Gomes e Roberto Requião manifestaram apoio à senhora. O que esses apoios representam? MD - Os apoios são emblemáticos sobre a disputa que acontece em Porto Alegre. Meu adversário tenta se distanciar da experiência que teve de governar, que não foi exitosa, e não faz enfrentamentos para a população viver melhor com o que Bolsonaro estabeleceu no país. Meu adversário flerta com a negação da pandemia, não debate condições mínimas de garantir a vacina diante da negativa do presidente em fazer isso. Essas vozes que se unem nacionalmente dizem: Porto Alegre precisa cuidar melhor das suas pessoas. O envolvimento deles, com o Requião, do próprio partido do meu adversário, se dá a partir das ideias que temos. Como a senhora avalia o resultado para a Câmara Municipal, com cinco vereadores negros, e PT e PSOL entre as maiores bancadas? E a necessidade de manter uma base, como se viu no processo de impeachment do prefeito Nelson Marchezan Jr.? MD - Achei a Câmara tremendamente diversa. Fiquei muito feliz que elegemos partidos que me apoiam e a bancada negra. Sobretudo porque tem relação com a periferia para uma Câmara mais popular. É importante para ter um Legislativo que escute a população. Quanto ao impeachment do Marchezan, o principal recado não é sobre tamanho de bancada, mas sobre a necessidade de estabelecer pontes e fazer com que os projetos cheguem com legitimidade, construídos participativamente. Pertencer ao PC do B afasta eleitores mais conservadores da senhora? Tenta reverter isso de que modo? MD - Tenho falado diretamente sobre as mentiras que inventam e sobre quem governa o estado melhor administrado do Brasil, que é o Flávio Dino, do Partido Comunista, no Maranhão. Tentam criar uma animosidade da minha candidatura com a iniciativa privada e empresários que é dissonante da realidade. Em 2004, quando eu era vereadora, votei a favor das PPPs [parcerias público-privadas]. A gestão do Flávio Dino foi uma das primeiras a abrir a economia, em 24 de maio, com responsabilidade e sem negacionismo. O Maranhão é o estado mais rápido para abrir um negócio, é o que mais cresceu e mais gerou emprego na pandemia. Defendemos a liberdade religiosa do Brasil, ainda com a lei de autoria de Jorge Amado. É importante as pessoas serem esclarecidas. Quais as principais diferenças entre a senhora e o seu adversário? MD - São muitas. Em primeiríssimo lugar, ele representa uma experiência que não deu certo. Eu represento experiências que foram exitosas no passado e representam um futuro para a cidade. Melo aderiu às bandeiras de privatizar a Carris [transporte], Procempa [internet] e Dmae [água e esgoto]. Eu defendo o transporte público, no mundo inteiro estão reestatizando a água, e 80% das crianças da rede municipal não têm internet. Eu defendo que precisamos garantir a economia aberta e, por isso, luto pela vacina. Ele defende abrir a economia, mas não levanta a cabeça para discutir a vacina. As diferenças foram se amplificando no decorrer do tempo, em função dos compromissos que ele foi firmando com seus aliados. * RAIO-X Manuela d'Ávila, 39 Jornalista e mestre em políticas públicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Foi vereadora (2005-2006), deputada federal (2007-2015) e deputada estadual (2015-2019), além de candidata a vice-presidente na chapa de Fernando Haddad (PT), em 2018. Sempre foi filiada ao PC do B.

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