Mensagens obtidas pela Polícia Federal e reveladas pela revista Veja mostram a lobista Roberta Luchsinger se vangloriando do acesso que teria ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a integrantes de escalões de comando do governo federal. Em um dos prints, que segundo a reportagem integra um inquérito no qual Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, é investigado, Roberta relata a um empresário que Lula teria oferecido a ela um cargo no governo, convite que diz ter recusado para se dedicar à sociedade mantida com o filho do presidente.
De acordo com os diálogos, Roberta, Lulinha e o empresário Fernando Bittar mantinham um grupo de mensagens para tratar de negócios junto ao governo federal, incluindo tratativas que teriam favorecido uma empresa do setor de produtos medicinais à base de cannabis junto ao Ministério da Saúde. A Polícia Federal aponta que Lulinha teria atuação discreta, mas seria referência decisória nos projetos discutidos pelo grupo, que projetava receber cerca de R$ 100 milhões apenas em 2024, segundo as mensagens citadas pela revista.
As conversas também indicam que a lobista teria dado instruções para entregas de dinheiro em espécie a diferentes destinatários e chegado a administrar finanças de Lulinha, que se mudou para Madri, na Espanha, após a prisão de um dos investigados no caso e a inclusão de Roberta nos inquéritos. Segundo a Polícia Federal, a mudança já era planejada anteriormente. As mensagens mostram ainda que o grupo teria recorrido ao então chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, para viabilizar uma reunião com o então secretário-executivo do Ministério da Saúde. Segundo a investigação, Roberta teria pago contas de Marcola e comprado joias para ele, somando valores que ultrapassariam R$ 200 mil; ele não é investigado no inquérito até o momento.
Procurada pela revista Veja, a defesa de Lulinha negou que ele tenha qualquer relação com negócios envolvendo a administração pública e afirmou que o investigado carrega o peso do sobrenome que possui.



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