O candidato do Avante à Presidência, Augusto Cury, afirmou nesta quarta-feira, 16, que a fragilidade da Câmara e do Senado abre espaço para que o Supremo Tribunal Federal (STF) avance sobre atribuições do Legislativo e "até legisle". Em entrevista ao Flow Podcast , ele voltou a defender o fim da vitaliciedade dos ministros da Corte e disse que, se eleito, pretende provocar o Congresso já na primeira semana de governo para discutir mandatos de oito anos no Supremo.
"Infelizmente, até pela falha do Congresso, tanto a Câmara dos Deputados como o Senado são muito frágeis. Como são frágeis demais, às vezes não exercem adequadamente seu papel, abrem espaço para a Suprema Corte até legislar. Aí virou o caos da sociedade brasileira", afirmou.
Cury disse que ministros do STF deveriam exercer mandatos de oito anos e deixar definitivamente a Corte ao final do período. Segundo ele, a mudança permitiria uma "reciclagem de mentes" e reduziria o que classificou como exposição excessiva do tribunal. "A Suprema Corte tem de ser discreta", afirmou. O candidato também disse que integrantes da Corte que tenham cometido irregularidades devem ser investigados e julgados "até as últimas consequências", independentemente do campo político.
No início da entrevista, Cury fez uma crítica sobre o ambiente político de Brasília, que classificou como um "manicômio global", ressalvando haver exceções. Segundo ele, o sistema está marcado por "projetos de ego" e partidários e por uma disputa em que interesses de grupos e famílias se sobrepõem aos do País. "Eu acho que o ecossistema está doente, fragmentado e fragilizado", disse.
Questionado sobre como enfrentar o conflito entre os Poderes, Cury afirmou que buscaria construir um pacto com o Congresso e o STF. Disse que, caso eleito, chamaria lideranças partidárias e integrantes da Corte, incluindo o presidente do Supremo, Edson Fachin, para uma tentativa de "pacificar" o País e reduzir o que chamou de "disputa irracional entre os poderes".



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