BRASÍLIA, 26 Out (Reuters) - Candidato derrotado no segundo turno da eleição presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou em vídeo público nesta segunda-feira que foi intimado pela Polícia Federal a entregar seu passaporte no âmbito de uma investigação contra ele que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).
"Vou entregar os meus passaportes e me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar. Mas ninguém vai me calar", afirmou o senador no vídeo postado em suas redes sociais e também distribuído por sua assessoria.
Segundo Flávio Bolsonaro, a ordem de apreensão do passaporte foi determinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, e foi assinada logo após o resultado da eleição presidencial de domingo, em que foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O senador disse que foi abordado pela PF na saída de uma visita feita mais cedo ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília após ter sido condenado por tentativa de golpe de Estado.
Procurada, a Polícia Federal e o Supremo não responderam de imediato a pedido de comentário.
Flávio Bolsonaro é investigado em três inquéritos no Supremo. O primeiro deles, sob relatoria de Moraes, apura suspeitas de lavagem de dinheiro e supostas irregularidades em relação a "bets" e envolvem o advogado Willer Tomaz, amigo do parlamentar.
Outro inquérito, também relatado por Moraes, apura suposta calúnia de Flávio contra Lula em postagem na qual ele associou o presidente a crimes como tráfico de drogas, apoio a terroristas, fraude eleitoral e lavagem de dinheiro.
O senador ainda é investigado em um terceiro inquérito, relatado pelo ministro André Mendonça, que diz respeito ao financiamento do filme sobre o pai de Flávio pelo banqueiro Daniel Vorcaro, com suspeitas de desvio de recursos.
(Reportagem de Ricardo BritoEdição de Pedro Fonseca)
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