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Falta de acordo na esquerda emperra chapa única na eleição em Belo Horizonte

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - A falta de acordo entre os pré-candidatos da esquerda ainda emperra a formação de uma chapa única desse campo para concorrer à Prefeitura de Belo Horizonte. O cenário é tido como necessário pelos postulantes para que a esquerda retome o protagonismo perdido nas últimas duas eleições na cidade.

Ao somar a divisão que também existe na direita, são mais de dez pré-candidaturas já anunciadas, o que torna a disputa pelo terceiro maior colégio eleitoral do país uma das mais concorridas entre as capitais. O prazo para a definição das chapas que irão concorrer ao pleito é 5 de agosto, data-limite para as convenções partidárias.

A dificuldade da esquerda em Belo Horizonte em chegar a um consenso foi ilustrada nos anúncios de alianças feitos na última semana.

As deputadas estaduais e pré-candidatas Bella Gonçalves (PSOL) e Ana Paula Siqueira (Rede), de partidos que estão sob a mesma federação, firmaram alianças com dois postulantes diferentes: Rogério Correia (PT) e Duda Salabert (PDT), respectivamente.

Em nota, a federação disse que os partidos já haviam definido "por ampla maioria" o nome de Bella como a pré-candidata da federação. Afirmou que a parlamentar, que preside a federação em BH, se reuniu com o presidente Lula, dialogando para uma aliança com o PT.

A deputada do PSOL afirmou que a unificação da esquerda é necessária diante do cenário eleitoral que se apresenta ao eleitor.

"Eu acho que é a primeira vez que Belo Horizonte corre o risco real de a extrema direita ou a direita pura ganhar nossa cidade. Imagina como o eleitorado progressista se sentirá tendo que escolher entre um candidato do Tarcísio [de Freitas, governador de São Paulo] e um do [ex-presidente Jair] Bolsonaro", disse Gonçalves, se referindo aos deputados estaduais e pré-candidatos Mauro Tramonte (Republicanos) e Bruno Engler (PL), respectivamente.

Procurada, Ana Paula Siqueira afirmou que a decisão de Bella não foi discutida com a direção da federação. "Vejo essa articulação com naturalidade. Nas negociações nacionais, os dois partidos têm contrapartidas em vários estados. Por exemplo, em São Paulo, o PT apoia o PSOL [na candidatura de Guilherme Boulos], e é compreensível que eles cobrem uma contrapartida em BH", afirmou.

A dificuldade na construção de uma chapa única passa por uma falta de acordo entre os dois pré-candidatos com mais força eleitoral nesse campo, os deputados federais Rogério Correia e Duda Salabert.

Enquanto a postulante do PDT defende que a cabeça de chapa seja destinada para quem estiver à frente nas pesquisas eleitorais, o petista diz que esse será um fator, mas não o único.

"O PDT foi o único partido que definiu esse critério [das pesquisas] claro", afirmou Salabert. "E nelas até agora o nosso nome apareceu como aquele que tem maior viabilidade eleitoral e maior possibilidade de ir para o segundo turno entre os candidatos progressistas", disse a deputada do PDT.

Em maio, os dois se reuniram em Brasília com os presidentes do PT, Gleisi Hoffmann, e do PDT, Carlos Lupi. As condições para a formulação de chapa única foram discutidas, disse Correia.

"Nós achamos que a unidade é importante. A Duda coloca parâmetro de pesquisa como principal fator, nós achamos que é um deles. Talvez o presidente Lula possa arbitrar essa questão", afirmou o pré-candidato do PT.

"O partido, através da presidente Gleisi, já externou que a nossa é uma das principais candidaturas, senão a principal, visto que vamos apoiar outros partidos em São Paulo e no Rio. Então Belo Horizonte passa a ser vista como menina dos olhos do PT", acrescentou Correia. Ele descartou um apoio do partido para a candidatura do atual prefeito, Fuad Noman (PSD), posição defendida por alguns aliados de Lula.

Pesquisa Quaest para a Prefeitura de Belo Horizonte divulgada na terça (11) mostra Salabert com 9% das intenções de voto e Correia com 6%. Eles estão empatados tecnicamente, já que a margem de erro do levantamento é de três pontos percentuais.

O líder apontado pelo levantamento foi o apresentador de TV e deputado estadual Mauro Tramonte, citado por 25% dos entrevistados. Na sequência vêm Bruno Engler e João Leite (PSDB), ambos com 11%. O senador Carlos Viana (Podemos) e o prefeito Fuad Noman aparecem com 9%.

O instituto ouviu de forma presencial 1.200 eleitores de Belo Horizonte nos dias 5 a 8 de junho. O nível de confiança é de 95%.

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