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Ex-Rota se reúne com Nunes, Bolsonaro e Tarcísio e fica perto da vice de prefeito

Por Folha de São Paulo

14/06/2024 15h30 — em
Política



SÃ PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do ex-coronel da Rota Ricardo Mello Araújo (PL), indicado por eles para sua vice, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que se reunirá com os partidos de sua coligação na próxima semana para sacramentar o escolhido para o posto. Nunes disse que há "argumentos fortes" a favor do ex-coronel.

Os quatro almoçaram na sede da prefeitura nesta sexta-feira (14), sinalizando que Mello Araújo é o favorito para a vice de Nunes, que disputará a reeleição. Nos bastidores, o entorno da pré-campanha já reconhecia ao longo da semana que, com a pressão de Bolsonaro e Tarcísio, o ex-coronel havia se firmado como o principal nome.

Depois do encontro, os quatro falaram juntos à imprensa. Nunes fez elogios a Mello Araújo e afirmou que existe uma posição "muito forte" em torno de seu nome. "Apoio do Bolsonaro, do Tarcísio, o maior partido. O Tarcísio possivelmente deve trazer o Republicanos nesse apoio. São argumentos fortes."

Havia a expectativa no meio político que o prefeito anunciasse a indicação após o almoço. Ele afirmou, porém, que ainda é necessário conversar com os demais partidos da coligação. "Não teria sentido fazer uma imposição sem um diálogo, sem escutar deles e entender o por que das indicações, quais são os argumentos", disse.

Bolsonaro afirmou que a aliança está em estado de noivado e deu a Nunes a medalha "dos três is" —"imbrochável, imorrível e incomível"—, que ele inventou e costuma distribuir a aliados. "Estamos começando bem esse diálogo para quando bater o martelo não ter gente que nos deixe", disse Bolsonaro. "Estou fechado com ele desde o primeiro momento. Espero que o vice chegue da melhor forma possível."

O entorno do prefeito avalia que as demais legendas da coligação não devem criar grandes problemas com a indicação do ex-coronel, mas afirma que será preciso ter conversas individuais com os dirigentes.

Até segunda-feira (10), aliados de Nunes ainda falavam em protelar a escolha, idealmente até o período das convenções partidárias, em julho. Eles se preocupam que Mello Araújo seja um nome muito radical, que possa afastar os eleitores de centro.

Mas, na última segunda-feira, Tarcísio disse à imprensa que apoia o nome do coronel, escolhido por Bolsonaro, e cobrou agilidade na definição. "Vou estar fechado com o presidente Bolsonaro e entendo que, até pela mudança de cenário, é mais do que nunca importante fazer esse acerto o mais rápido possível."

Depois da fala do governador, que é hoje o principal cabo eleitoral do prefeito, a campanha entendeu que não seria mais possível adiar a decisão por muito tempo.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, a pressão para que Nunes escolha um vice bolsonarista e, assim, amarre o apoio do ex-presidente, cresceu depois que o coach Pablo Marçal (PRTB) entrou na disputa pela Prefeitura de São Paulo, ameaçando trazer para si o voto da direita conservadora e flertando com o apoio de Bolsonaro.

Após o surgimento de Marçal, bem colocado na última pesquisa Datafolha (a depender do cenário, entre 7% e 9%), o ex-presidente disse à Folha de S.Paulo que tem um compromisso com a reeleição de Nunes, mas voltou a cobrar a indicação de Mello Araújo para a chapa.

A pré-campanha de Nunes teme que a indicação do ex-coronel possa afastar eleitores mais ao centro. Eles avaliam que a radicalização seria prejudicial para o prefeito, considerando que o presidente Lula (PT) obteve 53% dos votos na capital no segundo turno de 2022.

Aliados também têm receio de que a escolha de Mello Araújo leve o eleitor a associar a pauta da segurança pública a uma responsabilidade do prefeito, e não do governador. Como mostrou o Datafolha, para 23% dos paulistanos, o maior problema da cidade de São Paulo é a segurança. Nunes quer evitar ser fustigado com base no tema.

Por outro lado, o entorno do prefeito pondera que a escolha de Mello Araújo como vice também pode ter o efeito contrário –eleitores preocupados com a segurança podem ficar satisfeitos com a escolha do coronel.

Mello Araújo foi indicado por Bolsonaro, quando presidente, para a direção da Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo). A campanha de Nunes pretende explorar a atuação do oficial no cargo, defendendo que ele lançou mão de ações de combate à corrupção crônica na empresa pública.


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