SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça Eleitoral de São Paulo concedeu direito de resposta do prefeito da capital paulista e candidato à reeleição Bruno Covas (PSDB) em face do também postulante ao cargo Arthur do Val (Patriota), o Mamãe Falei. A decisão se baseia em propaganda eleitoral da campanha de do Val que afirma que "Covas é Doria. Boulos é Lula. A gente vai deixar nossa cidade nas mãos deles? Se você é pelo Brasil, se você não gosta de bandido, eu sou o seu candidato. Não tenho medo de dizer que sou o candidato da direita". Segundo a decisão assinada pelo juiz Renato de Abreu Perine, a defesa de Covas alegava que o conteúdo em questão ofende a dignidade do atual tucano ao chamá-lo de bandido. Em resposta, o candidato pelo Patriota argumentou que o termo "bandido" não foi dirigido a Covas, e que essa inferência é decorrente de "contorcionismo interpretativo". O tribunal deu razão ao atual prefeito. "A interpretação dada pelo representante não é 'contorcionismo', mas, sim, aquela que se emerge da propaganda, já que não há como se dissociar a primeira parte da propaganda [Covas é Doria, Boulos é Lula. A gente vai deixar nossa cidade na mão deles?], daquela que vem na sequência [Se você é pelo Brasil, se você não gosta de bandido, eu sou seu candidato]", afirma Perine. "Ou seja, a propaganda, observada como um todo indissociável, como ela é, vincula a expressão bandido aos candidatos mencionados. E, dessa maneira, a propaganda ofende a honra do representante, injuriando-o, existindo evidente excesso no direito constitucional de livremente manifestar-se, tornando passível, assim, de direito de resposta, a teor da legislação eleitoral." A decisão impõe que Mamãe Falei não divulgue mais o vídeo em questão e concede a Covas direito de resposta de um minuto. A Justiça Eleitoral já havia negado ao menos três solicitações do tipo feitas por Covas em face do ex-deputado eleito pelo DEM.